Arquidiocese de Braga -

19 novembro 2012

CASA MENINO DE DEUS

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Discurso de gratidão às Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria na tomada de posse dos novos elementos da direção da Instituição Casa Menino de Deus, em Barcelos.

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Terminou ontem, em Braga e Guimarães, o Átrio dos Gentios. A temática do valor da vida, em diálogo com crentes e não crentes, voltou a incutir uma paixão pela aventura de Cristo. Toda a Vida e a Vida de todos têm um valor incalculável! Por isso, olhar a história do quotidiano é verificar que nem sempre a vida é “vida” e que a vida de muitos é degradante e marcada por dramas.

Aliás, a história da Igreja foi marcada sempre por esta tarefa: dar vida e empenhar-se pelo bem de todos. Os santos foram uns apaixonados pela vida, perdendo-a por vezes para a dar. S. Francisco reconheceu-a em todas as situações e louvou a Deus, suscitando um compromisso pela fraternidade a descobrir entre as pessoas e todos os elementos criados. Com ele, sabemos que é morrendo pelos outros se alcança a verdadeira vida, nesta terra e na eternidade.

Muitos o seguiram em Igreja, acreditando no valor silencioso da sua entrega. Como consequência, surgiram Congregações Religiosas e Ordens Terceiras, ou seja, leigos que se uniram para, em nome da Igreja e comunhão com a Igreja, prosseguissem a tarefa.

Um desses exemplos são as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria. Elas interpretam um período de vida duma Casa da Igreja, iniciada em 1726, e que elas assumiram em 1929. Foram 83 anos que as páginas dos livros não conseguem encerrar. Deste modo, a Arquidiocese de Braga, Igreja neste território, louva e agradece o seu brilhante trabalho. A cidade de Barcelos também conhece e reconhece o silencioso agir das irmãs, numa doação de vida 24 horas por dia.

A gratidão às Irmãs Franciscanas de Maria não se limita a este momento. A sua tenacidade e coragem vai continuar a ser interpretada pela Terceira Ordem Franciscana, adaptando-se à nova situação e às novas exigências. Continuará a ser uma Associação de Fiéis, como instituição da Igreja, que caminhará na fidelidade ao passado, mas adptando-se ao presente, com serenidade e fé, e preparando-se para reformular os Estatutos para prosseguir os objectivos, que necessariamente, sendo os mesmos, se devem adequar à realidade atual. A Igreja dispõe dum modelo que orientará e a Arquidiocese convida outros cristãos, de vida íntegra e coerente, a inscreverem-se como associados, para permitirem a rotatividade enriquecedora e que os tempos atuais exigem. O legado das Irmãs está carregado de muitas exigências. Sei e acredito que iremos colocar-nos nas suas pegadas!

A cidade de Barcelos não pode limitar-se a esperar trabalho responsável desta instituição. Deve dar-lhe caminho e generosidade e, particularmente, pessoas dotadas de paixão pelas causas nobres. De facto, esta é uma delas.

O amor que sempre dediquei a esta casa é certeza da minha ajuda para que o “Menino Deus”, como obra da Igreja, continue a ser referência no âmbito do apoio a crianças e jovens, incutindo valores que marcarão o seu futuro. A atual direção está consciente da tarefa que os espera. Iremos prosseguir e inovar sem trair minimamente uma história, deixando-nos nortear pelos princípios valorativos que caracterizam todas as instituições da Igreja. Com espírito franciscano, só procuraremos a alegria de servir, procurando “onde há ódio levar o amor, onde houver desespero levar consolação. Porque é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna”. Sim, viver, morrendo para nós, para que os outros encontrem a vida e nós, a satisfação de gastar a vida pelos outros.

Terminado este ciclo, em tempo de renovação da Igreja, nos 50 anos do Concílio Vaticano II onde a corresponsabilidade eclesial é reconhecida como exigência, a Venerável Ordem regressa a assumir este trabalho de lidar em modos diferentes.

Não vemos esta alteração em termos negativos. É a Igreja que continua, não só por uns Estatutos aprovados e a seguir, empenhada em dar futuro a crianças e jovens. Há um perfil característico. A história não pode ser negada ou destruída. O Menino Deus saberá ser fiel. Continuarei a dedicar a esta casa e ao que ela significa o carinho que sempre lhe dediquei.

Deus seja louvado pelo bem realizado! Obrigado às Franciscanas Missionárias de Maria e olhemos com coragem ao muito que ainda falta fazer!

 

† Jorge Ortiga, A.P.,

19 de Novembro de 2012.