Arquidiocese de Braga -
31 outubro 2013
Bens Patrimoniais para a Evangelização
Artigo do Senhor Arcebispo, D. Jorge Ortiga, no âmbito dos 10 anos da Comissão Arquidiocesana dos Bens Patrimoniais.
No dia 25 de Janeiro de 2001 aprovei os Estatutos do Instituto de História e Arte Cristãs. As direções alteraram-se e há dez anos que um grupo abnegado assumiu a coordenação dos diferentes sectores dando consistência a uma Direção multidisciplinar e abrangente de diversas áreas.
Naquela data quis colocar como objetivos do I.H.A.C. “a preservação, conservação, restauro, estudo e promoção dos valores históricos, arqueológicos e artísticos” fazendo-o através de cinco secções, cada uma coordenada por um Diretor:
- Arquivo Arquidiocesano;
- Museus Arquidiocesanos Pio XII e Medina;
- Comissão Arquidiocesana para os Bens Patrimoniais que se subdivide em: 1) secção dos imóveis e inventariação dos móveis, 2) secção dos Projetos e Obras;
- Gabinete de Atividades Culturais;
- Gabinete de Restauro.
A Comissão Arquidiocesana para os Bens Patrimoniais, integrada por um grupo abnegado de pessoas, assumiu a coordenação das suas competências no dia 8 de Fevereiro de 2003. Queremos recordar quanto esta comissão realizou e sublinhar o quanto falta realizar neste sector e noutros.
Os Estatutos encerraram uma preocupação de inculcar nas comunidades a importância do Património Religioso para a Evangelização e um compromisso de criar os instrumentos necessários para que tudo fosse preservado e colocado ao serviço da comunidade.
Olhar hoje para cada um destes sectores obriga a reconhecer que muito caminho foi percorrido mas que nem sempre esta consciência da importância pastoral dos valores patrimoniais, nas suas paróquias e instituições, foi devidamente assimilado. Os Conselhos Económicos Pastorais foram alertados e começam a aparecer os frutos. As Irmandades e Confrarias foram interpeladas para a renovação dos Estatutos onde esta atenção é sublinhada. Só que, infelizmente, há sempre aventuras subjetivistas que permitem que algum património seja delapidado. Em simultâneo, as apetências exteriores são muitas e as tentações e armadilhas provocam “casos” desnecessários se as orientações fossem seguidas.
A Arquidiocese, neste aspeto como em todos os outros, não age por inspiração momentânea propondo obrigações resultantes dum capricho pessoal do Arcebispo e dos Órgãos Colegiais que o acompanham no governo da Arquidiocese. Hoje somos um elo na riquíssima cadeia histórica que reporta a fé dos nossos antepassados e queremos ser intérpretes dum projeto que será julgado pelos nossos vindouros.
Temos experimentado diversos contratempos vindos do exterior da Igreja e sabemos que tudo seria ultrapassado com um clima de diálogo que aceitasse o específico duma instituição multisecular, como é a Igreja, que não se instala nos privilégios mas que pretende oferecer um contributo à cultura. Continuaremos desejando um diálogo entre parceiros que se enriquecem mutuamente ajudando-se na diversidade de instâncias. Nada pretendemos para nós. Contentamo-nos com o Bem Comum.
Quando inicialmente reconhecia que o espírito de preservação do Património das comunidades, proporcionando um ambiente de oferta a todos – crentes e não crentes –, ainda não foi suficientemente assimilado, quero acreditar que ousaremos com a responsabilidade de cada um, acelerar o passo para prosseguirmos a tarefa que considero nobre e sublime. Tudo está convenientemente definido e é liminarmente compreensível quando a fé se torna, efetivamente, o motor das opções. Quando surgem problemas, e sem julgar ninguém, a causa é uma ignorância religiosa e uma diminuta consciência eclesial, deixando-se levar por ideias erradas ou por atribuição de intenções à hierarquia que nunca existiram nem nunca existirão.
Quero aproveitar esta data para deixar um pedido às comunidades e instituições. O Arquivo Arquidiocesano começa a estar organizado e a dispor de condições para acolher documentos que nunca deixarão de pertencer às comunidades. Ninguém ignora que a conservação dos documentos precisa de determinadas condições climatéricas que as comunidades não conseguem oferecer. Há documentos de valor incalculável que se foram perdendo por incúria ou por terem caído nas mãos de pessoas que reconhecem o seu valor e os adquirem. Outros foram-se destruindo por causa da humidade e outros fatores de deterioração. Infelizmente somos obrigados a reconhecer esta verdade.
Importa que sejam depositados no Arquivo, ficando a comunidade com a documentação de propriedade e a identificação do local onde estão depositados. Deste modo não se perdem, não se deterioram e podem ser consultados por quem o pretender. É um trabalho que nos deve ocupar num próximo futuro.
Hoje, 18 de Outubro, celebramos o Dia Nacional do Bens Culturais da Igreja. É uma data que deverá sugerir às Comunidades o trabalho que todos devem efetuar para a preservação do seu património. Ele, nas suas mais cariadas vertentes, é sempre instrumento de Evangelização. Saibamos aproveitar o serviço do Instituto de História e Arte Cristãs para conseguirmos vencer esta batalha.
+ Jorge Ortiga, A.P.
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