Arquidiocese de Braga -
24 novembro 2013
SOMOS UM POVO DE FÉ!
Homilia de Cristo Rei e Encerramento do Ano da Fé.
Hoje o Ano da Fé. Fazemo-lo dum modo original, uma vez que o queremos marcar como impulso para a caminhada eclesial que vimos realizando para “abrir a porta” do coração e da comunidade a novos desafios. Daí que hoje, mais do que encerramento, vivamos este dia como reconfiguração. Não aceitamos rutura e hoje estamos disponíveis para desafios novos na continuidade duma Igreja que se renova.
Alicerçamos a renovação através da Palavra e aceitamos que esta entrasse, sempre e cada vez mais, nas vidas pessoais e comunitárias, para produzir frutos. A Palavra não era uma ideologia: acolhemo-la como uma pessoa que está sempre à porta para “cear” connosco manjares já saboreados e outros a saborear. Se o Ano da Fé foi acolhido neste itinerário, não o encerramos mas desejamos que rasgue horizontes novos: alguns já iniciados e que devem ganhar consistência; outros que ainda desconhecemos mas que o Espírito nos revelará; e ainda outros que devemos renovar purificando-os de aspetos espúrios para que a fé, a sua celebração e vivência, continue a produzir frutos em abundância.
Não tenho conclusões a apresentar. Basta abrir-se para que Cristo se torne o Rei efetivo de comunidades congregadas em Seu nome, (“onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome Eu estou no meio deles”), de modo a, animados pelo espírito, apresentarmos ao mundo um Deus Amor. Não tendo conclusões, nesta Igreja-Mãe, grito três grandes eixos a dominar a vida das comunidades, sempre depois dum diálogo muito pessoal com Cristo, que permanentemente se alimenta no silêncio orante a partir dum encontro mais sólido com a Palavra.
Por isso, ouso elencar três “esperanças” com uma dimensão que acompanhe a todos:
- Uma catequese familiar que integre pais e filhos na dinâmica de descoberta da fé; formação inicial para adultos a continuar numa formação de adultos organizada em cada comunidade paroquial ou unidade pastoral;
- Um dia arciprestal que, anualmente, congregue todos os ministérios litúrgicos para celebrações de autêntica expressão da fé;
- Redescobrir caminhos novos e confirmar alguns existentes no compromisso social de restituir dignidade de vida ao nosso povo;
Estes três frutos, já amadurecidos ou a amadurecer, devem suscitar um maior compromisso cristão que cresce permanentemente em termos duma Missiologia eclesial dentro das comunidades e para fora, como leigos ou como sacerdotes e religiosos a exercer o seu ministério onde e como Deus vai chamando.
Colocando diante de nós estes itinerários estamos em sintonia com os “rumos” apontados pela Conferência Episcopal Portuguesa para promover a renovação da Pastoral da Igreja em Portugal (reconhecer o primado da graça e a necessidade de uma nova mentalidade, viver em comunhão para a missão, que é de todos e para todos, e testemunhar a fé revitalizada fomentando iniciativas de iniciação cristã e de formação) assim como os “eixos” apontados no nosso Programa Pastoral (Fé celebrada) nomeadamente a consolidação e incrementação dos ministérios ordenados ou instituídos.
É com alegria que hoje ordenamos diácono permanente o José Maria Carneiro da Costa, como que acolhendo o trabalho que, desde a sua juventude, vem realizando na Ação Católica, onde continuará a exercer a sua diaconia. Assim outros Movimentos possam oferecer à Igreja Arquidiocesana pessoas para os diversos serviços ou vocações. A fé congrega-nos em comunidade para sermos enviados em Missão, não só dentro dum Grupo ou Movimento, mas numa profunda articulação onde Deus necessita de nós para levar a Boa Nova do Amor.
Caríssimos Irmãos, ao encerrarmos o Ano da Fé e ao continuarmos o Ano Litúrgico, também com a ordenação dum Diácono Permanente, sintamo-nos membros do Reino de Cristo, estando com Ele nos momentos de alegria ou de dor (como nos relata o Evangelho), fazendo com que a nossa vida de fé seja o modo de testemunhar a gratidão a Deus “que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina”. Temos a luz para a vida, doada no alto do Calvário, e assumimos a militância de, depois de a celebrarmos com empenho e ardor, a colocar no coração da humanidade pelo testemunho das obras e pelo anúncio responsável da sua palavra de amor.
Mais do que encerrar, aceleremos o ritmo de renovação eclesial através duma fé mais consciente e consistente. Gostaria de terminar esta celebração com uma oferta a todos os cristãos empenhados e comprometidos na vida Arquidiocesana ou Paroquial. O Santo Padre apresenta hoje uma exortação apostólica, “Evangelii gaudium” (A alegria do Evangelho) oferecendo-a a um bispo, um padre, um diácono e a outras 33 pessoas (religiosas, religiosos, representantes dos movimentos, jovens, artistas e, inclusive, a um cego, em forma eletrónica).
É chegada a hora de todos assumirmos a alegre missão de se tornar evangelizador. Não será esta a melhor maneira de encerrar o Sínodo: acolher permanentemente o dom da fé e comunicar alegremente esse dom recebido, para que o mundo possa redescobrir a alegria do Evangelho.
† Jorge Ortiga, A.P.
Sé Catedral de Braga, 24 de novembro de 2013.
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