Arquidiocese de Braga -
17 julho 2014
OPINIÃO: DA FAMÍLIA PARA O SACERDÓCIO, DESAFIOS PASTORAIS
Durante muitos anos, e hoje ainda, encarámos pastoralmente a Família como um supermercado: precisamos de catequistas, vamos buscar à família, precisamos de leitores, de ministros da comunhão, de membros para o conselho económico, etc, etc,… e vamos sempre
A família é um sacerdócio!
(A propósito das ordenações presbiterais – 20 de Julho).
Este poderia ser o título de um interessante livro que recolhesse o testemunho de quem deixou a família para seguir o sacerdócio, ou de um hilariante filme que, na linha de alguns do género, mostrasse as aventuras de quem muda de ambiente, estilo de vida e, tantas vezes de percurso académico ou “profissional”. Mas é tão somente a constatação de uma realidade que parecia estar esquecida: as vocações ao sacerdócio não caem do céu, ou se caem do céu aterram na família. Dizemos que esta verdade parecia estar esquecida, e passamos a explicar.
Durante muitos anos, e hoje ainda, encarámos pastoralmente a Família como um supermercado: precisamos de catequistas, vamos buscar à família, precisamos de leitores, de ministros da comunhão, de membros para o conselho económico, etc, etc,… e vamos sempre ao mesmo sítio: à família. Poderíamos ir a outro lado? Poderíamos fazer de outra forma? No entanto, esquecemos que a família, para dar frutos deve ser tratada como um terreno de cultivo, que se semeia, se protege, se rega, se aduba, de onde se tiram as ervas daninhas.
E que família temos hoje? Para quem gosta deste tipo de leituras aconselhamos a leitura do documento de trabalho, os desafios pastorais no contexto da nova evangelização, onde se reúnem as respostas ao questionário do Documento Preparatório enviadas de todo o mundo e que servirão de base de trabalho para a próxima Assembleia do Sínodo dos Bispos. Nele podemos ver, com grande clareza e verdade, como está a Família em todo o mundo, e intuímos que a próxima Assembleia do Sínodo terá a grande missão de apontar caminhos para a Família neste terceiro Milénio, como já foi feito – e ainda não levado ao terreno – com a Exortação Apostólica de S. João Paulo II sobre a família.
De entre os desafios pastorais que gostaríamos de ver abordados está sem dúvida a valorização da Família na sua globalidade, e que essa valorização se traduzisse numa nova forma de estruturar as várias formas de trabalho pastoral, mais agregadora, mais próxima, mais inclusiva. Desafios pastorais apostados em ajudar as famílias a descobrirem o seu projeto de Família, a construírem-no em fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, a serem fieis ao ensinamento do Magistério da Igreja, ajudando a crescer, a curar as feridas, a descobrir caminhos de alegria na participação em comunidades descentradas de si mesmas (mas centradas em Jesus Cristo e por Ele nos seus membros). Desafios que evidenciem a necessidade de uma educação para o namoro, para a afetividade, que vejam no matrimónio uma caminhada de crescimento que exige acompanhamento discernimento, preparação remota e preparação mais próxima, sem esquecer o apoio próximo e disponível a quem já é família.
Neste caminho surge com naturalidade a figura de um pastor/pai/irmão/companheiro/referência em que o sacerdócio é vivido com alegria, entrega, disponibilidade e proximidade. Um sacerdote que viva com naturalidade e alegria a sua vocação de amor fecundo. O sacerdócio surge assim como um caminho natural, uma escolha de amor, desse amor que desde sempre se viveu na família e na família alargada que é a Igreja. Não haverá soluções de continuidade, porque a família é um sacerdócio, uma entrega dos esposos um ao outro e dos dois aos filhos e de todos os membros às outras famílias da família alargada da Igreja. Estamos perto! O que nos falta?
Quando as famílias forem sacerdócio os sacerdotes serão da nossa família.
Alexandra e Jorge Teixeira a pensar em todos os sacerdotes que fazem parte da nossa família
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