Arquidiocese de Braga -
6 janeiro 2016
"Ação Católica": 100 anos de memórias
DACS
Mons. Domingos da Silva Araújo é o director da revista "Ação Católica" há 17 anos.
A revista Ação Católica, órgão oficial da Arquidiocese de Braga, completa 100 anos de existência. Mons. Silva Araújo, actual director, fala sobre a revista que dirige há 17 anos, e que considera fornecer uma "visão daquilo que foi, em cada mês, a vida da diocese". Recuperando memórias e histórias, o director da revista assegura que "para se conhecer a História da Igreja de Braga é indispensável o recurso à Ação Católica".
O que é a Ação Católica?
A Ação Católica é o orgão oficial da Arquidiocese de Braga. Quem o definiu como órgão oficial foi o Arcebispo D. António Bento Martins Júnior. Portanto, é uma revista que publica 12 números por ano, embora um seja duplo (Agosto/Setembro), e que procura informar sobre a vida da diocese, dos principais documentos, a doutrina do magistério da Igreja, dando grande preferência à diocese, mas informando também sobre a Igreja em Portugal, e a Igreja a nível Universal, do Vaticano. Normalmente há a preocupação de publicar os textos na íntegra, porque muitas vezes os textos resumidos não dão ideia do que é a realidade, do que a pessoa realmente quis dizer. Depois, pretende também dar uma espécie de visão daquilo que foi em cada mês a vida da diocese.
Qual é o conteúdo da revista?
De uma maneira geral, por que mudanças passou a revista ao longo destes 100 anos?
A revista no princípio existiu como orgão de informação, e também como órgão de cultura. Há um dos números da revista em que se diz que se publicaram certas coisas porque o clero não tinha dinheiro para comprar livros especializados para estar actualizado. Portanto, um dos objectivos da revista foi manter o clero actualizado acerca do pensamento da Igreja e do magistério da Igreja. Quando a revista foi criada, pouco depois foi publicado o novo Código de Direito Canónico. E na revista vieram muitas explicações acerca do Código de Direito Canónico.
Depois, houve uma altura em que a revista teve muitas secções, teve uma secção de história, teve uma secção de toponímia, uma secção de liturgia, uma secção em que se fazia a exegese bíblica, em que se publicavam homilias, comentários aos textos bíblicos de Domingo ou da semana, e alguns textos que saíam na revista foram até reunidos em livro, posteriormente. Houve uma altura em que todos os professores do Seminário Maior e alguns do Seminário Menor colaboravam na revista, com textos a comentar documentos do magistério da Igreja, a explicitar esses mesmos documentos. Houve uma secção importante, que foi a secção de consultas, de perguntas que faziam para a revista e depois, na revista, saía a resposta a essas perguntas. Durante o tempo em que o Cónego Molho de Faria era director da revista – e foi durante 40 anos – foi muito importante essa secção de consultas, como foi muito importante, a certa altura, uma secção de livros novos, e que não se limitavam a dizer “apareceu este livro”, mas analisavam o livro. Depois, no tempo de D. Eurico, ele quis reformular a revista, quer a nível de apresentação, quer a nível de conteúdos. Nomeou, para isso, uma comissão, mas essa reforma não durou muito tempo, manteve-se durante uns dois anos, creio eu. Presentemente, a revista é mais informativa, a nível de documentos, e a nível de actividades.
A Ação Católica manteve sempre a mesma matriz?
Quando assumiu funções enquanto director da Ação Católica, que adaptações teve que fazer?
Eu praticamente não fiz adaptações. Eu sou director da revista há 17 anos. Quando faleceu o Monsenhor Carvalho Rodrigues, o Arcebispo D. Eurico pediu-me para eu assumir a direcção da revista e o que procurei – e procuro – foi dar uma nova arrumação à revista. Criei novas secções e procurei organizar as coisas de maneira a que cada assunto ficasse na sua secção, para que fosse mais fácil ler a revista. Tenho a preocupação de publicar todos os documentos que me parecem importantes na íntegra. Depois, também dou muita importância aos índices. No fim de cada ano publico o índice das revistas, o índice temático, o índice de nomes próprios, o índice de topónimos, o índice geral e o índice de livros recenseados, que também me parece importante para depois as pessoas poderem consultar a revista. E fundamentalmente foi isso.
De que modo é que a Ação Católica cumpre o seu papel de arquivo?
Qual é a relevância de as instituições religiosas e paróquias construírem os seus próprios arquivos documentais?
Os arquivos fazem falta para qualquer pessoa que se dedique a certa actividade intelectual. Ter um arquivo organizado é muito importante. Claro que tê-lo organizado é muito difícil, dá certo trabalho, mas qualquer instituição deve ter. Na paróquia, por exemplo, os baptizados, os casamentos, a vida da comunidade paroquial, tudo isso faz parte da vida da paróquia. A pessoa quer saber quando faleceram os familiares, quer saber quando foi baptizada, isso deve estar no arquivo da paróquia. Mas o arquivo da paróquia não se deve limitar, penso eu, a ter o arquivo dos baptizados, dos casamentos e dos óbitos, deve ser mais, e cada instituição deve ter o seu arquivo.
O Monsenhor foi director, durante alguns anos, do Diário do Minho. Quando assumiu a direcção da Ação Católica - uma revista de cariz mais instituicional - que novos desafios é que teve que enfrentar?
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