Arquidiocese de Braga -
9 julho 2016
Schönborn: Amoris Laetitia, ato de Magistério cheio de Misericórdia
Fotografia
\nCidade do Vaticano (RV) – “A Amoris Laetitia é um ato do magistério que atualiza” o ensinamento da Igreja sobre a família. É o que afirma o Cardeal Christoph Schönborn na longa entrevista ao Diretor da Civiltà Cattolica , Padre Antonio Spadaro, e publicada na última edição da revista quinzenal dos jesuítas.
O Arcebispo de Viena – que havia apresentado o texto da Exortação Apostólica pós-sinodal na coletiva de imprensa realizada em 8 de abril passado – sublinha que com este documento, no signo da Misericórdia, são superadas as categorias rígidas de “regular” e “irregular” no que tange à família. Inclusão – evidencia ele – é a palavra-chave do documento.
Padre Spadaro dirige ao purpurado austríaco questionamentos “incômodos” sobre a Exortação Apostólica, surgidos em alguns ambientes, como aqueles que o definem como “um documento menor” e “sem um pleno valor magisterial”.
Amoris Laetitia, ato do magistério de grande qualidade pastoral
Para o Cardeal Schönborn, esta observação é inaceitável. É evidente – afirma – “tratar-se de um ato de magistério”, está claro que o Papa exerce aqui “o seu papel de pastor, de mestre e de doutor da fé”. E acrescenta que é justo falar de “um documento pontifício de grande qualidade, de uma autêntica lição de sacra doctrina , que nos conduz à atualidade da Palavra de Deus”.
Para o Arcebispo de Viena, a Exortação é “um ato do magistério que atualiza no tempo presente o ensinamento da Igreja”. Amoris Laetitia “é o grande texto de moral que esperávamos desde os tempos do Concílio e que desenvolve as escolhas já realizadas pelo Catecismo da Igreja Católica e pela Veritatis Splendor , de São João Paulo II.
Francisco expõe a doutrina em maneira doce, com misericórdia
O purpurado austríaco sublinha que Francisco tem um olhar realista sobre a situação das famílias nos nossos tempos, mas ao mesmo tempo “não renuncia ao ideal ou ao patrimônio doutrinal”.
Outro elemento que toca – acrescenta – é a linguagem misericordiosa da Amoris Laetitia , que encarna uma “pastoral positiva” voltada a “expor a doutrina de maneira doce, relacionando-a às motivações profundas das mulheres e dos homens”.
Francisco supera as categorias “regular” e “irregular”
Entre as vozes críticas – observa o Diretor da Civiltà Cattolica – existe quem considera que a Amoris laetitia cai na “ética da situação”, portanto, em uma “gradualidade das leis”. Uma objeção não aceitável - afirma o purpurado - porque “por trás de uma clara objetividade do bem e da verdade, a Exortação evidencia o progresso na consciência e no compromisso em realizar o bem do homem a caminho ”. Neste “percurso de crescimento”, portanto, “subsistem fatores que podem explicar que é possível não ser subjetivamente culpável, se não respeitamos objetivamente uma norma”.
O Cardeal Schönborn evidencia, ademais, que “o fato relevante deste documento é que ele supera as categorias de regular e irregular”, já que “estamos todos sujeitos ao pecado e todos temos necessidade da misericórdia”. Não se trata, portanto, de “relativismo, antes pelo contrário” o Papa é “muito claro sobre a realidade do pecado”, mas “vai além desta perspectiva para colocar em prática o Evangelho: quem dentre vós não tem pecado atire a primeira pedra”.
Amoris Laetitia dá um passo em frente em relação à Familiaris Consortio
O Arcebispo de Viena detém-se depois sobre a questão do acesso aos Sacramentos dos divorciados recasados. Amoris Laetitia – observa – coloca-se no “nível muito concreto da vida de cada um” e revela que “um sujeito, mesmo conhecendo bem a norma, pode ter grande dificuldade em compreender valores intrínsecos à norma moral ou pode encontrar-se em condições concretas que não lhe permitam agir diferentemente”.
Já João Paulo II, na Familiaris Consortio – reitera – “distinguia algumas situações”, “abria portanto a porta a uma compreensão mais ampla, passando pelo discernimento das diferentes situações que não são objetivamente idênticas, e graças às considerações de foro íntimo”. Francisco, por isto, prosseguiu na direção indicada por Karol Wojtyla, “mas dando um passo a frente”.
Papel fundamental da consciência
Algumas pessoas – observa Padre Spadaro – criticam o fato de que o Papa, neste âmbito, se refira a “certos casos” sem “fazer deles uma espécie de inventário”. Se o fizesse – responde o Cardeal austríaco – cairia “na casuística abstrata” e se criaria também “um direito para receber a Eucaristia em situações objetivamente de pecado”.
O Papa, pelo contrário, nos coloca “diante da obrigação por amor à verdade, de discernir os casos particulares tanto em foro íntimo como foro externo”. A consciência, portanto, assume “um papel fundamental”.
O Arcebispo conclui a entrevista com o Diretor da Civiltà Cattolica , ressaltando o apelo à misericórdia que permeia todo o documento. Um apelo que leva “à exigência de sair de nós mesmos” para encontrar Cristo. Um encontro de amor que dá alegria, Evangelii Gaudium , mas que “não pode acontecer se não indo de encontro aos outros”. (JE/AG)
(from Vatican Radio)...
Partilhar