Arquidiocese de Braga -

11 abril 2017

Debate sobre "Mundo do Trabalho" invocou ética e dignidade

Fotografia

DACS com Departamento Arciprestal para a Comunicação Social de V. N. de Famalicão

O debate, realizado em Famalicão, surgiu com intuito de preparar as visitas pastorais que decorrerão ao longo do ano.

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O arciprestado de Vila Nova Famalicão realizou um encontro intitulado “O Mundo do Trabalho em Debate”. A iniciativa decorreu no dia 6 de Abril, às 21h15, no Centro Pastoral de Santo Adrião, em Vila Nova de Famalicão, e contou com a presença de D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz, e de D. Nuno Almeida, Bispo Auxiliar.

D. Jorge Ortiga abriu o encontro lembrando aos cerca de 70 participantes que este debate tinha como objectivo “preparar as visitas pastorais”.

Iniciado o debate, moderado pelo cónego e jornalista João Aguiar Campos, os convidados apresentaram os seus anseios e preocupações, abordando o trabalho segundo uma perspectiva cristã, na luta incessante pela justiça e a pela dignidade do homem.

A directora técnica do Centro Social e Paroquial de Castelões, Rosa Maria Vale, começou por abordar “a questão dos salários”, nomeadamente “as injustiças nas tabelas salariais”, acrescentando que “muitas vezes assume o papel de moderadora entre os colaboradores e as chefias”, no que respeita a esta questão.
 
O presidente da direcção da União das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Braga (UDIPSS Braga), cónego Roberto Mariz, enfatizou “o trabalho como elemento dignificador”, pois “o Homem não é um mero instrumento de produção, mas sim colaborador de Deus no mundo”.
 
A empresária e presidente diocesana da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), Fátima Amorim, abordou questões de índole ética que se prendem com a associação que representa, principalmente ao nível dos empresários. A convidada lembrou que “numa altura em que todas as pessoas falam de códigos de ética que acabam por não sair do papel, é necessário estarmos atentos”, pois, como frisou, “o que distigue uma empresa é o Homem”. Alertou ainda que “actualmente as pessoas preferem gozar de rendimentos do que colaborar na vida de uma empresa”.

A coordenadora diocesana da Juventude Operária Católica (JOC), Bruna Costa, salientou “que a JOC não se explica mas vive-se na relação de uns com os outros”. 

Na sua intervenção, o sindicalista e dirigente nacional da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC), Américo Monteiro, partilhou o seu testemunho de vida enquanto operário ligado ao mundo sindical e à Igreja. O sindicalista abordou o tema dos movimentos operários no seio da Igreja e frisou que a sua participação como sindicalista procurou ser sempre “expressão de solidariedade para com os seus colegas que revidicavam melhores condições de trabalho”.

Depois de questionados pelo moderador sobre como sentiram este “encontro de diferentes opiniões”, Fátima Amorim disse que “é necessário reunir mais vezes para debater temas desta importância”. Já Américo Monteiro alertou que “por vezes não há debates desta natureza porque as pessoas já têm as suas ideias definidas e não as querem abortar em favor do outro”.