Arquidiocese de Braga -

18 março 2019

"112 Eucaristias poderiam fazer muito mais nesta cidade"

Fotografia

Editora PAULUS

Apresentação do livro As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz decorreu na Basílica dos Congregados.

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O arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, esteve presente no último Sábado na Basílica dos Congregados, em Braga, no decorrer da apresentação da obra As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz.

Em tom de provocação, desafiou os presentes a pensarem: "A cidade de Braga tem 112 Eucaristias ao fim de semana. O que é que estas Eucaristias poderiam provocar, na Igreja e na sociedade, se efectivamente fossem momento de encontro com Jesus Cristo?", perguntou. "Teremos falta de Eucaristias na cidade de Braga, ou teremos falta de amor nas pessoas que frequentam a Eucaristia na cidade de Braga? Será que acolhemos verdadeiramente aquilo que a Eucaristia nos diz, que ela nos provoca a ser um testemunho, um sinal uma manifestação, semeando esperança, indo ao encontro das situações mais delicadas da vida humana e em nome de Jesus Cristo transformarmos este mundo numa sociedade diferente?" O arcebispo primaz diz estar "convencido de que 112 Eucaristias ao fim de semana poderiam fazer muito mais nesta cidade de Braga".

A provocação de D. Jorge Ortiga surge no contexto da apresentação do livro com CD As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz. Para o prelado, "seria muito importante pegar nestas palavras de Jesus Cristo e ver se elas não estão presentes em várias situações da nossa sociedade". O arcebispo de Braga deseja que este livro possa ser "um instrumento que a Igreja coloca ao serviço de todos para provocar este amor mais apaixonado por Jesus e, em Cristo, pela sociedade".

A apresentação desta obra contou com a presença do Pe. Paulo Terroso, reitor da Basílica dos Congregados, do Pe. Pablo Lima, autor das meditações, do Eng. Mário Vila Nova, da Irmandade dos Congregados, do Quarteto Verazin, que interpretou a obra de Franz Joseph Haydn, e do Pe. José Carlos Nunes, director-geral da Editora Paulus.

O Pe. Paulo Terroso explicou a origem deste projecto que, anualmente, no Domingo de Ramos, é apresentado na Basílica dos Congregados, e partilhou o desejo antigo de que este projecto se pudesse transpôr para uma publicação. "Esta obra que agora temos em mãos é, em certa medida, uma oferta que fazemos à comunidade. O objectivo é que através desta reflexão, da escuta da oratória e das palavras de Jesus, se possa abrir um discurso." Recorda o reitor da Basílica dos Congregados que "às vezes na vida precisamos de acender o rastilho, de uma chave na ignição, para provocar algumas questões. Depois, a partir dali, começa um processo que talvez nos leve ao encontro com Jesus Cristo e, a partir daí, a vida mude. É esse o objectivo deste livro".

O Pe. José Carlos Nunes destacou a qualidade da obra, que "transforma um livro num produto multimédia". "Um projecto de alta qualidade e que merecia não ficar apenas em Braga, mas que merecia chegar a um público mais vasto. Porque as coisas boas não podem ficar fechadas. O que é bom tem de ser partilhado, tem de ser divulgado." O sacerdote paulista referiu que "esta obra pretende chegar a um público mais vasto. A crentes ou até mesmo a não-crentes, que, pegando nestas reflexões, possam encontrar-se consigo mesmos e até mesmo com o mistério do sofrimento, da redenção e da vida", destacou.

O responsável pela gravação do CD foi o Eng. Mário Vila Nova, da Irmandade dos Congregados. Como "membro da comunidade, senti que este momento precisava de ser partilhado. Que era algo que não podia ficar fechado nestas quatro paredes". E destacou que esta obra é fruto de "uma caminhada feita em conjunto, com uma grande generosidade de todos os envolvidos que se disponibilizaram a participar".

As reflexões são de autoria do Pe. Pablo Lima, sacerdote da diocese de Viana do Castelo e professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Braga. Para o autor, a ideia de que os textos viessem a ser publicados nunca foi uma hipótese. "O texto não foi pensado para ser publicado", referiu. No entanto, devido à persistência do Pe. Paulo Terroso e do Eng. Mário Vila Nova, "acabei por ficar convencido de que talvez tivesse algum interesse partilhar esta meditação com outras pessoas que não participaram naquela noite".

Respondendo a uma pergunta frequente, "se ainda são actuais e se ainda têm algum significado estas palavras, passados dois mil anos", o Pe. Pablo Lima responde que "as circunstâncias que nós vivemos hoje tornaram ainda mais dramática para muitas pessoas a vida e a morte. Talvez hoje não haja uma mas muitas cruzes espalhadas um pouco por todo o lado. Portanto, as palavras que Jesus disse do alto da Cruz naquela tarde terrível, no calvário, são hoje ainda mais significativas do que naquele tempo".

As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz contêm uma reflexão profunda e actual, escrita e narrada pelo Pe. Pablo Lima, com dramatização do actor Miguel Guilherme e acompanhada pela magnífica execução da obra homónima de Franz Joseph Haydn pelo Quarteto Verazin, o quarteto de cordas residente do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim.