Arquidiocese de Braga -
18 fevereiro 2022
Vaticano pede que nações evitem guerra
DACS
O monsenhor Janusz Urbanczyk, representante permanente da Santa Sé na OSCE, sublinhou os apelos de paz que o Papa Francisco fez nas passadas semanas.
O Vaticano repetiu esta quinta-feira os apelos para evitar a guerra no leste da Europa. Numa conferência da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), o representante da Santa Sé expressou preocupação com a situação na fronteira entre Rússia e Ucrânia.
O monsenhor Janusz Urbanczyk, representante permanente da Santa Sé na OSCE, sublinhou os apelos de paz que o Papa Francisco fez nas passadas semanas, e avisou que a constante escalada de tensão ameaça infligir "um novo golpe à paz na Ucrânia, e coloca em questão a segurança do continente europeu, com repercussões alargadas".
Procurando relembrar que "a guerra é uma loucura" e que aqueles que sofrem mais com ela não são os que a começam, mas as vítimas "desamparadas", o monsenhor reiterou o apelo do Vaticano para que "qualquer insinuação da ameaça de guerra seja silenciada", e que "homens, mulheres e crianças sejam poupadas aos horrores do conflito".
Ecoando as palavras do Papa Francisco no encontro com os diplomatas acreditados junto da Santa Sé, Urbanczyk pediu que "nenhuma energia ou oportunidade seja poupada a perseguir o diálogo internacional por forma a acabar com as tensões."
No encontro de 10 de Janeiro, Francisco enfatizou que a "confiança recíproca e a prontidão para se envolver em calmas discussões deve inspirar todas as partes em jogo, para que soluções aceitáveis e duradouras consigam ser alcançadas na Ucrânia".
As tensões na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia não têm acalmado nas últimas semanas, tendo-se registado esta quinta-feira uma troca de culpas entre os países sobre um bombardeamento numa cidade do lado da fronteira de leste controlado pelo governo ucraniano, no qual três pessoas ficaram feridas.
As forças armadas ucranianas culparam o que chamaram de “forças de ocupação” pelo ataque, sugerindo que a artilharia tinha sido disparada pelos grupos separatistas apoiados pela Rússia, mas o Kremlin disse que “o primeiro tiro veio do lado ucraniano”. O secretário de defesa dos Estados Unidos da América afirmou que pode ser uma tentativa da Rússia encontrar um pretexto para a invasão, depois de ter continuar a acumular milhares de soldados na zona fronteiriça, apesar de alegar o contrário.
Josep Borrell, o Alto Representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia, afirmou que o grupo de 27 países tem pronto um pacote de sanções contra a Rússia, que será aprovado “tão depressa quanto possível” em caso de agressão ou ofensiva militar em território da Ucrânia. De acordo com o jornal Público, haverá um plano de contingência para, em paralelo, apoiar os países europeus mais expostos a consequências económicas das sanções e retaliações da Rússia.
Entre as exigências russas, formalizadas em Janeiro, está a da NATO nunca admitir a adesão da Ucrânia e um recuo das forças da NATO no leste europeu – para posições que ocuparam pela última vez no fim da década de 1990.
A Ucrânia passou por duas revoluções no século XXI, em 2005 e 2014, rejeitando ambas as vezes a influência da Rússia e aproximando-se da União Europeia e da NATO, movimentando-se no sentido da adesão a ambas as alianças.
Depois da revolução de 2014 (Revolução da Dignidade), em que meses de protestos acabaram por derrubar o presidente pró-Moscovo Viktor Yanukovych, Putin utilizou o vazio no poder a seu favor e anexou a região da Crimeia, para além de começar a apoiar rebeldes separatistas nas províncias de Donetsk e Luhansk através de milícias paramilitares.
Os rebeldes conseguiram estabelecer duas pequenas “repúblicas populares”, onde a pena de morte foi reestabelecida e dezenas de campos de concentração foram criados para torturar e executar dissidentes. O conflito vitimou, desde 2014, mais de 13 mil pessoas e obrigou à deslocação de milhões.
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