Arquidiocese de Braga -

28 março 2022

Francisco alerta para religião “distante, feita de proibições e deveres”

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DACS com Agência Ecclesia

O líder da Igreja Católica advertiu que “o filho mais velho, na relação com o pai, baseia tudo na pura observância dos mandamentos, no sentido do dever”.

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O Papa Francisco alertou este domingo, no Vaticano, para uma religião “distante, feita de proibições e deveres”, que se afasta da relação com o próximo, num comentário à chamada parábola do “filho pródigo”.

O líder da Igreja Católica advertiu que “o filho mais velho, na relação com o pai, baseia tudo na pura observância dos mandamentos, no sentido do dever”, pelo que esse também pode ser “o nosso problema, connosco e com Deus: perder de vista o Pai e viver uma religião distante, feita de proibições e deveres”, o que traz uma “rigidez em relação ao próximo, que já não se vê como irmão”.

Diante de cerca de 30 mil peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a recitação da oração do ângelus, o Santo Padre partiu da passagem do Evangelho de São Lucas no IV Domingo da Quaresma para sublinhar que Deus “perdoa sempre com compaixão e ternura”, porque “não só acolhe de volta, mas alegra-se e celebra o seu filho, que voltou para casa depois de ter desperdiçado todos os seus bens”. “Nós somos esse filho, e é comovente pensar no quanto o Pai nos ama e espera sempre”, acrescentou.

Francisco detalhou ainda que “dentro de nós” esse filho também existe e que, “pelo menos em parte, somos tentados a concordar com ele: ele sempre cumpriu o seu dever, não saiu de casa, por isso se indigna ao ver o pai abraçar o irmão que se portou mal”.

Para Deus, disse o Papa, “cada filho é toda a sua vida”, e os pais “sabem bem disso, estão muito perto do sentimento de Deus”.

O Santo Padre convidou ainda a celebrar o perdão, “fazer festa e alegar-se”, como o pai da parábola, sabendo estar próximo de “quem se arrepende ou está a caminho”, indicando que “aqueles que cometeram um erro sentem-se, muitas vezes, repreendidos pelo seu próprio coração; distância, indiferença e palavras pungentes não ajudam”. “Quanto bem pode fazer um coração aberto, uma escuta verdadeira, um sorriso transparente; fazer festa, não fazer sentir desconforto”, disse.

Francisco afirmou que “Deus não sabe perdoar sem fazer festa” e conclui que “quem tem o coração sintonizado com Deus, alegra-se ao ver o arrependimento de uma pessoa, por mais graves que tenham sido os seus erros”.

“Basta! Calem as armas! Empenhem-se seriamente pela paz!”

O Papa reforçou ainda a sua condenação da guerra na Ucrânia, falando no perigo de “autodestruição” da humanidade.

“Renovo o meu apelo: Basta! Parem! Calem as armas! Empenhem-se seriamente pela paz! Rezemos sem descanso à Rainha da Paz, a quem consagrámos a humanidade, de modo particular, a Rússia e a Ucrânia, com uma participação grande e intensa, pela qual agradeço a todos.”

Francisco recordou aos peregrinos que “passou mais de um mês do início da invasão da Ucrânia, do início desta guerra cruel e sem sentido” e lamentou que esta, “como qualquer guerra, representa uma derrota para todos, para todos nós”.

Defende ser preciso “repudiar a guerra, lugar de morte, onde pais e mães sepultam os filhos, onde homens matam os seus irmãos, sem os ter sequer visto, onde os poderosos decidem e os pobres morrem”, e insistiu que “a guerra não devasta apenas o presente, mas também o futuro de uma sociedade”.