Arquidiocese de Braga -
6 abril 2022
Francisco beija bandeira ucraniana na audiência semanal
DACS com Associated Press/Ecclesia
O Santo Padre recebeu ainda seis crianças ucranianas no palco, que “tiveram de fugir para chegar a uma terra segura”.
O Papa exibiu e beijou esta quarta-feira, no Vaticano, uma bandeira oriunda de Bucha, vila nos arredores de Kiev, na Ucrânia, e lamentou o “massacre” descoberto com a recuperação da localidade ao exército russo.
Francisco apresentou, na audiência pública semanal, uma bandeira da Ucrânia, que chegou esta terça-feira de Bucha, a “cidade martirizada”, e segurou-a durante alguns momentos, sob os aplausos da multidão, tendo-a beijado antes de a devolver aos responsáveis do Vaticano que o acompanhavam na cerimónia.
Em Bucha, cidade a cerca de 30 quilómetros de Kiev, foram encontrados dezenas de cadáveres nas ruas e enterrados em valas comuns, existindo vários relatos de execuções e assassínios a sangue frio. O jornal norte-americano The New York Times publicou uma investigação de imagens de satélite da vila, que refuta as afirmações simultâneas da Rússia que as mortes ocorreram depois dos soldados russos deixarem a zona e que eram uma encenação.
De acordo com a procuradora-geral da Ucrânia, foram encontrados 410 corpos de civis durante o passado fim-de-semana na região de Kiev, à medida que o exército ucraniano recupera o controlo do terreno. O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, declarou que “o que está em causa é a eliminação de toda a nação e do nosso povo”.
O Santo Padre recebeu ainda seis crianças ucranianas no palco, que “tiveram de fugir para chegar a uma terra segura”, descrevendo essa necessidade como “um dos frutos da guerra” e pedindo que “não as esqueçamos e não nos esqueçamos do povo da Ucrânia”. As crianças levaram desenhos ao Papa e receberam, como presente, ovos de Páscoa.
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O Papa recordou depois as vítimas do conflito, “cujo sangue inocente brada ao Céu e implora: que acabe a guerra, que as armas se calem, que se deixe de semear morte e destruição”, e pediu para se rezar por esta intenção.
No Auditório Paulo VI, o líder da Igreja Católica afirmou que “as recentes notícias sobre a guerra na Ucrânia, mais do que trazer alívio e esperança, atestam, pelo contrário, novas atrocidades, como o massacre de Bucha”, e explicou se descobrem crueldades “cada vez mais horrendas, cometidas mesmo contra civis, mulheres e crianças indefesas”.
Na catequese, Francisco condenou ainda a lógica dos Estados “poderosos”, contra o direito dos “pequenos”, declarando que deve haver respeito pela “lógica da liberdade”.
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