Arquidiocese de Braga -

10 maio 2022

Francisco menciona “cultura do descarte” na mensagem para o Dia Mundial dos Avós

Fotografia

DACS com Agência Ecclesia

Para o Papa, “não é um acaso que a guerra tenha voltado à Europa no momento em que está a desaparecer a geração que a viveu no século passado”.

\n

O Papa Francisco volta a falar da “cultura do descarte” dos mais velhos na mensagem divulgada esta terça-feira para o Dia Mundial dos Avós e Idosos, celebrado a 24 de Julho.

No texto, com o tema ‘Dão fruto mesmo na velhice’ (Sl 92, 15), o Papa realça que “os idosos não são proscritos” e têm um papel a desempenhar na Igreja e na sociedade. Francisco explica que “muitas pessoas têm medo da velhice” e que consideram “uma espécie de doença, com a qual é melhor evitar qualquer tipo de contacto: os idosos não nos dizem respeito – pensam elas – e é conveniente que estejam o mais longe possível, talvez juntos uns com os outros, em estruturas que cuidem deles”.

O Santo Padre evoca os cenários de crise provocados pela pandemia e a guerra na Ucrânia, alertando para “outras ‘epidemias’ e outras formas generalizadas de violência que ameaçam a família humana e a casa comum”, apontando que “não é um acaso que a guerra tenha voltado à Europa no momento em que está a desaparecer a geração que a viveu no século passado”.

Francisco acrescenta que existe necessidade de uma “mudança profunda, duma conversão, que desmilitarize os corações, permitindo a cada um reconhecer no outro um irmão”, e atribui uma “grande responsabilidade” a avós e idosos: a de “ensinar às mulheres e aos homens do nosso tempo a contemplar os outros com o mesmo olhar compreensivo e terno que temos para com os nossos netos”.

O líder da Igreja Católica desafia os idosos a assumir a missão de ser “mestres dum modo de viver pacífico e atento aos mais frágeis”, e pede para guardar no coração “os pequeninos da Ucrânia, do Afeganistão, do Sudão do Sul”.

O Papa assinala que a velhice pode ser “difícil de entender”, já que “as sociedades mais desenvolvidas gastam muito para esta idade da vida, mas não ajudam a interpretá-la, proporcionam planos de assistência, mas não projectos de existência”, e adverte que, “por um lado, somos tentados a exorcizar a velhice, escondendo as rugas e fingindo ser sempre jovens, por outro parece que nada mais se possa fazer senão viver desiludidos, resignados a não ter mais ‘frutos para dar’”.

Francisco acrescenta que “envelhecer não é apenas a deterioração natural do corpo ou a passagem inevitável do tempo, mas também o dom duma vida longa”, e que “não é uma condenação, mas uma bênção”, e realça ainda a importância de uma “velhice ativa”, também do ponto de vista espiritual, para assumir uma “nova missão”.

O Santo Padre pede que este II Dia Mundial dos Avós e Idosos seja assinalado em todas paróquias e comunidades, e em particular junto dos idosos mais abandonados, em casa ou nas residências onde estão hospedados, para que “ninguém viva este dia na solidão” e porque “ter alguém para cuidar pode mudar a orientação dos dias de quem já não espera nada de bom do futuro; e dum primeiro encontro pode nascer uma nova amizade”.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida sugere duas formas para viver o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, nomeadamente “celebrar em cada paróquia uma Missa dedicada aos idosos e ir ao encontro dos que não costumam receber visitas”.