Arquidiocese de Braga -

19 janeiro 2023

D. José Cordeiro em Amares: “Parar é andar para trás”

Fotografia Pe. António Magalhães

Pe António Magalhães

“Parar é andar para trás”, lembrou o arcebispo de Braga a mais de duas centenas de cristãos de Amares, no encontro com os agentes da Pastoral Litúrgica, no âmbito da Visita Pastoral àquele arciprestado.

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O arcebispo de Braga reuniu, na noite desta quarta-feira, com mais de duas centenas de cristãos de Amares, no encontro com os agentes da Pastoral Litúrgica, realizado âmbito da Visita Pastoral àquele arciprestado.

D. José Cordeiro sublinhou a importância de haver vontade e disponibilidade da parte de todos para a continuidade destes encontros de formação permanente, “não tanto pelas eventuais respostas, mas sobretudo pela novas perguntas, inquietações e desafios gerados”.

Na ocasião, o prelado bracarense manifestou a sua alegria, “pelo que testemunhou pessoalmente e ouviu da parte dos bispos auxiliares”, de momentos muito positivos nas visitas pastorais já realizadas, também na dimensão litúrgica.

“Um dos critérios para identificar a «qualidade do pároco» está muito na sua relação com o altar, não na sua dimensão propriamente material, mas sobretudo na relação e envolvimento criado entre os fiéis que diretamente intervém e a participação ativa de toda a assembleia”, sublinhou.

O metropolita bracarense referiu ainda que “todos são importantes e todos devem dar tudo em. prol da liturgia, mas conscientes de que Cristo é o único imprescindível”. Por isso, “cada um deve fazer tudo o que lhe compete e não mais que isso”. E acrescentou que “a liturgia não é a expressão exclusiva da fé, mas a sua fonte primeira e meta primordial”.

Na sua intervenção, D. José Cordeiro aproveitou ainda para agradecer o modo como a Visita Pastoral foi preparada e tem sido vivida, com particular ênfase para o círio pascal, que arde em todas as comunidades e no paço arquiepiscopal, como sinal da unidade e comunhão afetiva e espiritual entre o povo de Deus do arciprestado e com os seus pastores.

Na sua intervenção, o cónego Hermenegildo Faria lembrou aos presentes que a Liturgia da Igreja é essencialmente “momento para a contemplação do Mistério” e ocasião de dar seguimento ao supremo mandato de Jesus, isto é, “fazer isto em memória de Mim”.

Segundo o responsável da Vigararia para a Celebração da Fé, importa que os fiéis tenham consciência que “é toda a assembleia que celebra e cada um é chamado a dar o seu contributo”, sublinhado que, na Liturgia, “é tão importante escutar como cantar ou rezar”.

“Penso que podemos distinguir dois aspetos: a formação para a Liturgia e a formação pela Liturgia. O primeiro está em função do segundo que é essencial”, apontou como meta maior, citando o nº 34 da Carta Apostólica “Desiderio Desideravi”, do Papa Francisco.

O diálogo com os presentes permitiu ainda conversar sobre alguns ruídos que vão acontecendo na Liturgia e importa corrigir: a utilização de músicas (cânticos) que, apesar da qualidade ou carga afetiva, não são apropriados para a celebração (recorrente em casamentos); o atropelo das palavras e do seu sentido na proclamação da Palavra de Deus, que torna a mensagem impossível de entender; as distrações geradas pelo cantarolar do salmo ou dos refrães durante a proclamação da Palavra de Deus; a incúria na escolha dos leitores, cujo critério não pode ser apenas satisfazer gostos ou interesses, mas prestar um belo e bom serviço à Palavra de Deus.

A esse propósito o responsável diocesano citou Orígenes para lembrar que o respeito e cuidado com a Palavra de Deus deve ser igual ao que devotamos ao Corpo do Senhor: “Ora, se colocais tanto cuidado em guardar o seu corpo, o justamente o fazeis, como é que podeis considerar que se trata de uma culpa menor o ter esquecido a Palavra de Deus, isto é, o seu corpo?”.

No final do encontro foi também lembrado aos presentes a importância da Jornada Mundial da Juventude e a necessidade de todos se envolverem divulgando, encorajando os jovens e participando nas diferentes iniciativas, a começar já pela receção dos símbolos porque, como tem repetido D. José Cordeiro, «será um momento único e irrepetível para a Igreja de Portugal».