Arquidiocese de Braga -
22 abril 2024
“O Antes e o Depois do 25 de Abril?”
Equipa Diocesana da LOC/MTC de Braga
Conclusões da 13ª Semana Temática da LOC/MTC da Arquidiocese de Braga
A LOC/MTC, realizou no dia 20 de abril, em Famalicão, o encerramento da sua 13ª Semana Temática, que decorreu nas equipas de militantes de 15 a 20 de abril de 2024 e teve como tema: "O Antes e o Depois do 25 de Abril”. No espaço da delegação da LOC/MTC do arciprestado de Famalicão, os grupos partilharam em plenário as suas conclusões, que foram debatidas e aprofundadas com a ajuda de Firmina Moreira (Vice-coordenadora diocesana); Ana João Peixoto (secretária diocesana) e José Maria Carneiro Costa (diácono e assistente diocesano). Do trabalho realizado a Equipa Diocesana realça os seguintes aspetos:
1 – Antes: acabar com a guerra colonial, a ditadura, a repressão, o medo, a pobreza, o analfabetismo, estavam nos principais motivos que impulsionaram o golpe de Estado, no 25 de Abril de 1974. Este golpe do Estado, que ficou mais conhecido pela revolução dos cravos, tinha como objetivo pôr em execução os três Ds: Descolonização, Democracia e Desenvolvimento. São estes três desígnios, que sinalizamos, para avaliar positivamente o 25 de Abril e os valores que nos devolveram a paz, a liberdade, o acesso à informação e ao pensamento livre.
2 – Depois: alegria e a vontade de viver em liberdade, ficou bem demonstrada na participação massiva das manifestações do 1º de maio de 1974. A instituição do salário mínimo nacional, o reconhecimento e usufruto dos direitos; a liberdade de participar nos sindicatos e do acesso à justiça do trabalho; a criação da Segurança Social e o Serviço Nacional de Saúde e proteção social na doença, no desemprego e na velhice. Estas são conquistas e oportunidades que o 25 de abril consagrou, algumas delas a serem continuamente e melhorados. No entanto, temos que reconhecer a existência de alguma regressão e tentativas de esquecimento ou extinção. Desenvolveram-se infraestruturas rodoviárias, redes de saneamento, água e energia, para que todas as casas tivessem acesso a estes bens essenciais; melhoramento das condições e da qualidade da habitação, através da construção pública, cooperativa e privada; facilidade de acesso ao crédito para comprar a habitação própria; muito mais havia para dizer neste percurso infinito, que abril ainda não acabou! É nosso dever, neste pais democrático, continuar a trabalhar, a defender, a comprometer-nos com os valores de abril. Abril é um processo em crescimento e em desenvolvimento. Por isso reafirmamos: 25 de abril, sempre!
3 – Um acontecimento histórico, que veio fortalecer ainda mais uma nova forma de viver a fé, impulsionada pelo Concílio Vaticano II. Uma fé comprometida com as realidades de vida dos trabalhadores e das comunidades paroquiais. A JOC e os padres do mundo operário ajudaram-nos a compreender o significado de viver a fé na vida e a vida na fé. Aprendemos a passar de uma fé baseada na religiosidade, para uma fé e espiritualidade enraizada na vida e comprometida com a família humana. A importância de ler e estudar a Bíblia e a Doutrina Social da Igreja, tornaram-se mais acessíveis com a liberdade de abril. Porque na Igreja, o seu “25 de abril” já se tinha dado com o Concílio Vaticano II que ajudou a fazer o de abril de 74. Para muitos de nós, leigas e leigos, o 25 de abril facilitou o acesso aos documentos, à sua leitura e ao seu estudo. Sublinhamos a dificuldade em compreender e aceitar, o 25 de abril e as mudanças que foram operadas, por responsáveis da Igreja, bispos, padres e cristãos. Os movimentos JOC e LOC/MTC, foram uma boa escola de aprendizagem para saber aceitar e compreender os valores e as oportunidades que o 25 de abril ofereceu a todas as pessoas.
4 – Continuamos comprometidos com a vida social e sindical; com o associativismo e o cooperativismo, a solidariedade e a fraternidade, lutamos, com muitos outros, pela justiça social e pela paz no mundo; lembramo-nos continuamente que os valores e as conquistas de abril não podem ser dados como adquiridas, têm de ser defendidos, avaliados, melhorados, aplicados, sempre pelo bem da democracia, da liberdade, da dignidade humana e da paz universal; continuamos a defender e a desenvolver o diálogo, o espírito critico e o debate de ideias; responsabilizamo-nos por fazer passar a memória deste acontecimento, e de outros com esta importância, às novas gerações, através do diálogo na família e na comunidade; queremos apelar e sensibilizar para que os partidos políticos e os representantes eleitos pelo povo, assumam com responsabilidade, espírito de serviço e transparência, os cargos políticos e as tarefas de governo e de Estado, que lhes estão confiados pela democracia.
Vila Nova de Famalicão, 20 de abril de 2024
A Equipa Diocesana da LOC/MTC de Braga
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