Arquidiocese de Braga -

12 maio 2024

Igreja desafia sociedade a dar protagonismo às pessoas com deficiência

Fotografia DM

 DM - Jorge Oliveira

Arquidiocese de Braga realizou as II Jornadas de Reflexão das Pessoas com Deficiência

O bispo D. Roberto Mariz, delegado da Comissão Episcopal Portuguesa (CEP) da Pastoral Social, desafiou, ontem, em Braga, a olhar as pessoas com deficiência e a percebê-las, para que possam ser “protagonistas, agentes, atores da sociedade, da Igreja e do Mundo”.

“Não podemos viver numa sociedade do descarte, que põe de lado as pessoas com deficiência. Na sua dignidade humana e do seu valor, elas têm que ser integradas no caminhar da sua existência”, disse o prelado, na abertura das II Jornadas de Reflexão das Pessoas com Deficiência, que se realizaram nos Claustros do Espaço Vita, com o mote “Envolver para melhor viver”.

D. Roberto Mariz, que foi durante vários anos responsável pela Pastoral Social na Arquidiocese de Braga antes de ser nomeado bispo auxiliar da Diocese do Porto, reforçou, lembrando palavras do Papa Francisco, que é preciso “acolher, proteger, promover e integrar”, e convidou a ler a Declaração “Dignitas infinita” (Dignidade infinita), publicada recentemente pelo Dicastério da Doutrina da Fé, que fala sobre a dignidade e a deficiência humana.

Na saudação que fez em representação de todos os bispos, dioceses e Serviços da Pastoral Social, D. Roberto Mariz expressou o reconhecimento da Igreja pelo “bom trabalho” que é feito na Arquidiocese de Braga pela equipa da Pastoral para a Deficiência, coordenada pelo padre Tiago Varanda, e agradeceu a dedicação e o estímulo que dá ao longo ano “no caminhar” com as várias instituições neste “trabalho nunca acabado”.

Na abertura das II Jornadas de Reflexão das Pessoas com Deficiência intervieram também o Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, a secretária de Estado para a Ação Social e Inclusão, Clara Marques Mendes, a coordenadora Nacional da Pastoral da Deficiência, Carmo Dinis, e a vereadora da Educação, Inovação e Coesão Social da Câmara Municipal de Braga, Carla Sepúlveda.

D. José Cordeiro deu nota da preocupação e atenção “constantes” da Igreja para com todos, em particular as pessoas com deficiência, sublinhando que a Arquidiocese quer caminhar e envolver “todos os irmãos e todas as irmãs na mesma missão de levar Jesus a todos e todos a Jesus”.

“Todos somos deficientes, mas todos somos irmãos, todos diferentes, todos iguais”, disse o prelado, revelando que na Visita Pastoral que está a fazer na Arquidiocese tem ido a muitas instituições sociais que trabalham com a deficiência e este contacto direto com esta realidade tem sido para ele uma “enorme aprendizagem”.

A secretária de Estado para a Ação Social e Inclusão agradeceu o trabalho da Pastoral das Pessoas com Deficiência e deixou o compromisso do Governo de um trabalho de proximidade com todas as instituições sociais. Clara Marques Mendes referiu que há um trabalho grande a fazer nesta área e é com o envolvimento de todos os agentes que o governo quer levar  para a frente as suas políticas na área social. 

Relembrando que o executivo liderado por Luís Montenegro vai começar a trabalhar numa lei de bases para a deficiência, garantiu que o texto vai ser elaborado com o “contributo de todos”. 

“É esse o nosso compromisso, é esse o nosso objetivo. As portas do Ministério, do gabinete e Ação Social e da inclusão e do todos os gabinetes do Ministério do Trabalho, Segurança Social e Solidariedade estão abertas para todos”, declarou.

Considerando que o trabalho da Pastoral Arquidiocesana das Pessoas com Deficiência “deve ser publicitado para ser replicado, a governante pediu aos organizadores que no final das jornadas enviem as conclusões para o seu gabinete. 

A coordenadora Nacional da Pastoral das Pessoas com Deficiência falou na importância de se criarem melhores condições para o acolhimento e integração das pessoas com deficiência. 

“As pessoas com deficiência precisam de ser acolhidas na Igreja, precisam de saber que são importantes e que são queridas na comunidade. Precisam de ser olhadas como iguais e que lhes sejam proporcionadas as condições para que possam entrar na Igreja, quer seja fisicamente derrubando barreiras arquitetónicas, quer seja derrubando barreiras de linguagem através da comunicação para todos”, disse Carmo Dinis.

Por outro lado, defendeu, é necessário perguntar às pessoas com deficiência de que maneira querem ser Igreja e dar-lhe as condições para participar nos dons e a vocação a que são chamados.

A vereadora Carla Sepúlveda felicitou os organizadores pelo evento e destacou as ações que o Município tem desenvolvido a nível do acolhimento e da promoção da igualdade, para a que a inclusão na cidade seja uma realidade.

 

Políticas para a deficiência “tiveram impacto e resultaram”

 

As II Jornadas de Reflexão das Pessoas com Deficiência abriram com uma conferência de Ana Sofia Antunes, ex-secretária de Estado para a Inclusão, que desenvolveu o tema "Resiliência e Integração da Pessoa com Deficiência".

Partindo de um testemunho mais de ordem pessoal, a agora deputada do PS falou da importância da resiliência das pessoas com deficiência, da forma, da persistência, e aproveitou para fazer um balanço do trabalho enquanto secretária de Estado para a Inclusão, nos dois últimos governos socialistas.

Ana Sofia Antunes referiu que passados oito anos a sociedade está “muito mais sensibilizadas” para a questão da deficiência. “Quando comparo aquilo que é a nossa realidade hoje com aquilo que encontrei em 2015, não tenho dúvidas nenhumas de que as nossas políticas tiveram impacto e que sortiram efeito, mas acima de tudo quem deve fazer essa avaliação do ponto de vista dos mecanismos e apoios que estão hoje disponíveis e os que estavam em 2015 são as pessoas com deficiência”, disse.

A ex-governante espera que o atual governo, liderado pela coligação AD, “continue o trabalho” do anterior executivo que “deixou coisas a meio”,  por a legislatura ter sido interrompida.

Pela sua parte, disse, vai tentar no Parlamento fazer o que não conseguir terminar no governo.

Nas palavras de boas-vindas dirigidas aos participantes nas jornadas, o coordenador da Pastoral das Pessoas com Deficiência sublinhou a importância de todos se envolverem no sentido da inclusão, para assim “melhor viver”, e acrescentou que os obstáculos “não são problemas, mas desafios para crescer”.

Estas jornadas, disse o padre Tiago varanda, tiveram como grande objetivo despertar e sensibilizar a comunidade para a realidade das pessoas com deficiência. O sacerdote espera ainda que deste encontro saia um “alerta” para quem tem responsabilidades nesta área e para quem trabalha no terreno diretamente com as pessoas com deficiência.