Arquidiocese de Braga -
16 novembro 2025
D. José Cordeiro quer Igreja, Estado e sociedade a cooperar pela caridade
Carla Esteves - DM
Arcebispo de Braga pediu uma presença maior na solidão da velhice, na doença e nos cuidados continuados e paliativos
O Arcebispo de Braga disse, ontem, que «há um crescente diálogo e uma cooperação recíproca, com grande respeito de parte a parte» entre a Igreja e o Estado no que respeita à caridade e ao apoio social aos mais desfavorecidos. Contudo, deixou o alerta de que «é necessário mais», promovendo uma verdadeira corresponsabilização entre a Igreja, o Estado e a sociedade, no que respeita à construção do bem comum.
D. José Cordeiro falava à margem da iniciativa “Jubileu da Pastoral da Caridade”, um momento celebrativo no âmbito do Ano Jubilar, ontem realizado no Centro Pastoral da Arquidiocese de Braga, destinado a todos os que, de diferentes formas, vivem e testemunham a caridade, desde os que se dedicam a servir, àqueles que, despertam a compaixão e o compromisso da Igreja.
O encontro reuniu representantes dos departamentos da Pastoral da Caridade e de várias instituições, como a Cáritas, a Santa Casa da Misericórdia, os Centros Sociais Paroquiais, as Conferências Vicentinas e os grupos de jovens, tornando-se um espaço de encontro e valorização, com um ambiente descontraído. À margem da iniciativa, mas também acerca da caridade, o Arcebispo Metropolita pediu uma corresponsabilização da Igreja e do Estado, mas também das família, das comunidades, das instituições, das autarquias, para com o bem-estar do próximo.
«Sejamos mais corresponsáveis, aquela corresponsabilidade diferenciada para a construção do maior bem comum e sobretudo uma presença maior na solidão da velhice, na doença, nos cuidados continuados, nos cuidados paliativos, na dignidade da pessoa humana e da vida humana até ao fim do fim», apelou o Prelado.
No que ao envolvimento do Estado diz respeito, D. José Cordeiro solicitou também um maior apoio aos que trabalham nas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) católicas, proporcionando-lhes «dignidade no trabalho, e na prestação dos seus serviços».
Por seu turno, o responsável pela Pastoral da Caridade, cónego Avelino Amorim, realçou que «a Igreja e o Estado são cooperadores e não se substituem um ao outro nem podem assumir sozinhos» estas responsabilidades.
Acrescentou, contudo, que a dimensão da caridade na Igreja não se esgota e «vai muito além das IPSS, sendo muito mais do que aquilo que está protocolado».
«A verdade é que se a Igreja tem instituições nesta área, todos os cristãos têm este olhar de caridade, porque é a vocação de todos nós, e de uma forma, às vezes, muito mais silenciosa, mas muito operante, a Igreja continua a estar presente, é este bem que não se vê, mas que acontece», argumentou.
Realçou, porém, que, a celebração ontem realizada se prendeu mais com a dimensão pastoral do trabalho caritativo, com o «dar as mãos para o trabalho no terreno».
«Alegramo-nos por tantas situações onde nós, cristãos, continuamos a ver Cristo no rosto do irmão e a procurar tudo o que lhe possa conferir uma vida mais digna», concluiu.
Jubileu reafirma trabalho da Igreja em prol da caridade
O “Jubileu da Pastoral da Caridade” veio ontem reafirmar o vasto trabalho desenvolvido pela Igreja Católica, nas mais diferentes frentes, em prol dos mais desfavorecidos.
Durante a sessão de abertura desta iniciativa, o Arcebispo Primaz disse aos presentes precisamente que «a caridade na Igreja assume as mais diferentes formas, não passando apenas pelas instituições arquidiocesanas e pela caridade informal, mas sobretudo por fazer da nossa vida «um testemunho da caridade, olhando o outro como uma imagem e semelhança de Deus, como eu».
Agradecendo o trabalho do cónego Avelino Amorim, representante mais direto da Pastoral da Caridade e do Desenvolvimento Humano Integral, bem como à Caritas Arquidiocesana, aos jovens e a tantas instituições presentes no evento e departamentos que estão ligados à caridade, o Prelado realçou que «sem caridade não há Igreja, porque Deus é caridade».
«Deus é Amor. Às vezes nós confundimos caridade com migalhas de pão, com umas moedas, com as ajudas pelo Natal, mas a
caridade é muito mais do que isso», afirmou D. José Cordeiro, acrescentando que «a caridade está
intimamente relacionada com a esperança e com a fé».
O Arcebispo de Braga explicou que a reflexão terá hoje continuidade num segundo momento com a celebração do Dia Mundial dos Pobres, com iniciativas em Dume e em S. Lázaro e na Caritas Arquidiocesana, em Braga, e ainda no Arciprestado de Celorico de Basto.
«O dia de hoje será marcado pela especial proximidade com aqueles que mais precisam, com os pobres da nossa cidade, das nossas comunidades, para tomarmos maior consciência de que as periferias são o centro», disse.
O cónego Avelino Amorim, explicou que esta celebração alargada a dois dias pretendeu promover, num primeiro momento, a aproximação entre departamentos e instituições que lidam e zelam pela causa da caridade.
Já o diretor do Departamento Arquidiocesano para as IPSS Canónicas (IPSS, Centros Sociais Paroquiais e Misericórdias), diácono José Maria da Costa, considerou que depois de vivenciarem o «Jubileu tradicional, foi tempo de viver um Jubileu mais sectorial da caridade».
«Mas não se trata da “caridadezinha”, mas sim da caridade profunda em que o Evangelho nos obriga a mergulhar a vida real das pessoas. É aí que está o verdadeiro Jubileu», afirmou, acrescentando que «ele está no povo, nos pobres, nos desempregados, naqueles que não conseguem ter uma casa, dado o seu salário», e é por estas pessoas que trabalham os que se reuniram.
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