Arquidiocese de Braga -
12 janeiro 2026
Um Presépio Vivo que Fala: balanço da XIX edição do Presépio ao Vivo de Priscos
Presépio ao Vivo de Priscos
A XIX edição do Presépio ao Vivo de Priscos, realizada na freguesia de Priscos, concelho de Braga, afirmou-se, mais uma vez, como um dos mais relevantes acontecimentos natalícios em Portugal, destacando-se este ano por uma mensagem clara, atual e profundamente humana. Sob o tema “Deficiência e Superação”, o Presépio assumiu-se como um espaço de consciencialização social, inclusão e esperança, ligando a mensagem do Natal aos desafios concretos da vida de muitas pessoas e famílias.
Esta edição procurou dar visibilidade às dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência, alertando para a escassez de recursos, a falta de lares, de apoios terapêuticos adequados e de verdadeiras oportunidades de inclusão social e profissional. Mais do que uma denúncia, o Presépio de Priscos foi um apelo à consciência coletiva, mostrando caminhos possíveis de integração, dignidade e superação.
Nesse contexto, o Centro de Paralisia Cerebral de Beja marcou presença com a exposição “Do Silêncio à Visibilidade”, um projeto desenvolvido no âmbito da Formação Profissional em 2024. A mostra apresentou histórias reais de integração profissional de pessoas com deficiência, através de imagens que retratam homens e mulheres em contexto laboral, identificando os profissionais e as entidades empregadoras. Um testemunho concreto de que a inclusão é possível quando existem oportunidades e compromisso.
Entre os rostos e histórias que deram vida a esta edição, destacou-se a presença da família de Diogo Faria, jovem de 20 anos, portador de Ataxia Congénita, que inaugurou a edição deste ano. Segundo a mãe, Isabel Faria, Diogo “nasceu com uma força interior muito característica” e, apesar das limitações, aprendeu música de forma autodidata, tocando concertina, guitarra e cavaquinho, revelando ainda aptidões na área da informática. A família alertou, contudo, para as dificuldades sentidas no acesso a apoios essenciais, nomeadamente no transporte para consultas e fisioterapia.
Em termos de participação, o balanço é amplamente positivo. Entre 14 de dezembro de 2025 e 12 de janeiro de 2026, o Presépio ao Vivo acolheu mais de 180 grupos organizados, provenientes de várias regiões de Portugal e da Galiza. As reservas envolveram agências de viagens, paróquias e grupos de catequese, associações culturais e recreativas, comissões de festas, escuteiros, grupos de jovens, juntas de freguesia e instituições locais. A afluência foi constante, com grupos entre 20 e mais de 200 participantes, incluindo visitas de grande dimensão com vários autocarros.
Destaca-se, igualmente, o elevado número de visitantes espanhóis, sobretudo da Galiza, que se deslocaram a Priscos através de agências de viagem. Muitos destes visitantes contribuíram para a dinamização da economia local, recorrendo a restaurantes e alojamentos da cidade de Braga. Segundo o mentor do projeto, o principal motivo desta procura reside no facto de o Presépio de Priscos ser “único e diferente”, apresentando-se como um verdadeiro museu vivo e uma bíblia aberta, marcada por uma forte dimensão humanista e solidária. Os donativos recolhidos revertem, como habitualmente, para apoiar reclusos na reconstrução das suas vidas, promovendo a reintegração social e prevenindo novas situações de exclusão.
Essa dimensão solidária é reforçada pela colaboração, há cerca de uma década, de reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga na construção e manutenção do Presépio. Muitos ex-reclusos regressam hoje ao evento com as suas famílias, dando testemunho de percursos de mudança, recomeço e gratidão, reconhecendo no Presépio um ponto de viragem nas suas vidas.
O sucesso do Presépio ao Vivo de Priscos assenta, em grande parte, no empenho de cerca de 600 figurantes voluntários, que dão vida a esta grandiosa encenação. Com dedicação, espírito de serviço e sentido comunitário, transformam o Presépio num espaço de encontro, fé, tradição e emoção, acolhendo milhares de visitantes, crentes e não crentes.
Mais do que uma simples representação do Natal, o Presépio ao Vivo de Priscos afirma-se como um presépio que fala — não apenas aos olhos, mas sobretudo ao coração e à consciência. Fala de inclusão real, onde cada pessoa tem lugar e rosto; fala de dignidade humana, que não depende da força, da eficiência ou da perfeição; fala de superação, feita de pequenas conquistas silenciosas; e fala de esperança, aquela que nasce quando alguém se sente visto, acolhido e valorizado. O impacto profundamente positivo desta edição, sentido no olhar emocionado de quem visita e amplamente reconhecido nos testemunhos e elogios partilhados nas redes sociais, confirma o Presépio ao Vivo de Priscos como um projeto de referência cultural, pastoral e social. Um projeto que ultrapassa fronteiras, com alcance regional, nacional e internacional, e que continua a afirmar-se como um espaço onde o Natal acontece de forma viva, comprometida e transformadora.
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