Arquidiocese de Braga -

27 janeiro 2026

Paolo Benanti deixa em Braga alertas sobre “custos” pastorais da Inteligência Artificial

Fotografia Francisco de Assis

DM - Francisco de Assis

O padre Paolo Benanti esteve ontem à tarde no Espaço Vita para uma conferência/formação destinada sobretudo ao presbitério e Serviços da  Arquidiocese de Braga. Na sua intervenção e no diálogo que se seguiu, o especialista italiano deixou alertas sobre os “custos” sociais  e pastorais do uso da Inteligência Artificial (IA) e dos algoritmos, que oferecem os serviços, que de uma forma ou outra vão ser pagos.  

Na sessão participaram  o Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro; e o padre Tiago Freitas, diretor do Espaço Vita. Ambos agradeceram a disponibilidade do sacerdote pelo momento formativo, que certamente deixou mais rico e principalmente mais alertas todos aqueles que participaram na iniciativa.

Na breve palavra de contextualização e de  agradecimento, o Arcebispo recordou que, muito para lá da IA, «há uma inteligência humana, espiritual e pastoral que une a todos».

Ao dirigir-se à plateia, o padre Paolo Benanti começou por lembrar que não há apenas uma IA mas uma família de tecnologias, que vão sendo usadas, conforme as necessidades de cada utilizador. Por outro lado, frisou que, por enquanto, nem ele nem ninguém, tem respostas definitivas. Aliás, há mais perguntas do que respostas. Respostas essas que vão ter que ser construídas por todos.

Mas uma coisa é certa. «Não há almoços grátis». Ou seja, a google, a inteligência artificial e os algoritmos fornecem os serviços, «resolvem-nos os atritos», mas não o faz de forma gratuita. Estes serviços são pagos pelos dados que fornecemos ou pelas «pegadas» que deixamos quando pesquisamos ou quando requisitamos um serviço. E deu o exemplo de serviços da Cáritas ou de ou um Centro Social Paroquial, quando faz uma entrega. Ao usar o GPS, que é uma inteligência artificial, está a dar pistas sobre a pobreza no local e sobre os beneficiários.  Ou seja, aquilo que seria um benefício, pode tornar-se num prejuízo, uma injustiça social para com os mais frágeis.

O sacerdote franciscano fez saber que, o bispo de uma diocese dos Estados Unidos dispensou os fiéis da obrigação da missa, para não serem apanhados pelos Serviços de Imigração. Ainda assim, o especialista deixou claro que, à semelhança de outras tecnologias que mudaram o mundo, a IA veio para ficar e a Igreja tem é que saber adaptar-se e tirar proveito dela para ajudar na evangelização. Acredita que padres podem e devem ser “influencers”, precisamente para melhor saberem orientar os jovens na ação pastoral. Até porque, um dos perigos das redes sociais e dos algoritmos é que capacidade de dar uma resposta específica a cada um, prendendo a atenção sobretudo dos mais novos. O telemóvel foi apresentado como o objeto que «comeu» o mundo e que vai continuar a «come-lo».

A conferência do padre Paolo Benanti “IA e a Missão”, antecedeu a grande conferência que aconteceu à noite, também no Espaço Vita, com o tema “O Espírito e o Algoritmo”.