Arquidiocese de Braga -
3 fevereiro 2026
D. José Cordeiro lança desafio da renovação da vida religiosa
DM - Carla Esteves
O Arcebispo de Braga lançou, hoje, o desafio da renovação da vida religiosa. Durante a celebração da Festa da Apresentação do Senhor, que reuniu na Sé de Braga fiéis e muitos daqueles que responderam de forma afirmativa ao chamamento da vocação, D. José Cordeiro alertou os presentes que «nesta mudança de época, como Igreja que caminha unida, somos chamados a encontrar novas respostas da vida consagrada, e respostas que falem às pessoas deste tempo».
«Sem receio e sem se exilar no conforto e nas estruturas tradicionais, a vida consagrada deve propor uma fé que seja vivida com audácia, alegria e fraternidade, encarando os desafios deste tempo como uma oportunidade de renovação espiritual e missionária», advertiu.
Neste Dia do Consagrado, o Arcebispo Metropolita de Braga deu também graças «por todas as pessoas que na nossa Arquidiocese responderam de forma afirmativa ao chamamento a uma vocação de especial consagração a Deus».
«Dou graças pelo trabalho que tantas e tantos exercem na educação cristã – em escolas, colégios e encontros de catequese –; na caridade – acolhendo e cuidando daqueles que mais precisam, quer sejam crianças em risco quer sejam idosos sem família – e em tantos outros lugares e situações existenciais difíceis; sem esquecer aquelas que nos mosteiros de clausura sustentam todas estas obras através da sua oração a Deus, no silêncio da contemplação. Obrigado pela vossa dedicação ao Evangelho de Jesus Cristo», afirmou.
Não deixou, ainda assim, de efetuar o referido desafio à renovação da vida religiosa, recorrendo palavras do Cardeal François-Xavier Bustillo, escritas no livro “Passemos à outra margem”.
Entre outras reflexões, escreve o Cardeal: «a vida religiosa aperfeiçoa-se de crise em crise e de conversão em conversão. Ela é chamada a evoluir. Este termo por vezes suscita desconfiança. A evolução está ligada à conversão interior, à capacidade de reencontrar o sentido e o objetivo de uma vida doada. (...) Redescobrir o gosto por uma vida religiosa serena e significativa é um desafio magnífico».
D. José Cordeiro recordou que, nessa mesma obra, Cardeal François-Xavier Bustillo sustenta que «nos momentos de cansaço carismático, é precisopassar para o outro lado. O imobilismo e a passividade diante de um mundo em constante evolução são um perigo para a vocação religiosa».
A Festa da Apresentação do Senhor e Dia do Consagrado constituiu ainda uma oportunidade para o Arcebispo de Braga salientar que «todos nós, batizados, somos consagrados pelo Senhor, porque na verdade toda a consagração começa em Deus: é Ele que, primeiramente, nos quer consagrar para a santidade».
Deixou, contudo, outra advertência aos presentes, de que« essa consagração supõe também a resposta do ser humano, pelo que podemos dizer que na consagração há uma componente vertical descendente, de Deus para o ser humano, e uma componente vertical ascendente, do ser humano para Deus».
Na reflexão neste dia em que Maria e José apresentaram Jesus no templo de Jerusalém para ser consagrado ao Senhor.
Segundo D. José «Deus continua, assim, a inserir-se na história humana de forma muito concreta, nada recusando para viver a condição humana em plenitude, exceto no pecado», pelo que aceita cumprir as prescrições cultuais do povo judeu, tornando-se membro de pleno direito desse mesmo povo».
Realçou ainda que Jesus se guia pelo mandamento do Amor, apresentando-se como Messias, em contradição com o que era esperado pelo povo: «Ele não é o Messias que vem expulsar pela força o domínio romano. É, sim, aquele que vem instaurar o Reino de Deus: reino de paz e justiça, reino de fraternidade e de amor».
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