Arquidiocese de Braga -
9 março 2026
Procissão dos Passos de Cabreiros desafiou à inclusão e atenção aos necessitados
Procissão voltou a mobilizar a comunidade com mensagem de inclusão
A procissão dos Santos Passos de Cabreiros voltou a atrair uma grande multidão, não só da freguesia como de muitas partes do concelho de Braga e não só. Na sua pregação, o padre João Alberto Correia falou ao coração dos presentes, desafiando-os a seguir o caminho de Cristo, que é o caminho da integração, do acolhimento, da inclusão e na atenção aos mais necessitados.
Como é tradição, em Cabreiros, houve dois sermões: do Pretório, dentro da igreja de São Miguel de Cabreiros; e o do Encontro, considerado o «momento mais supremo» da procissão dos Passos. Por um lado, pelo encontro entre Cristo e a sua Mãe Maria; mas também pela presença de Verónica, figura de grande simbolismo na Igreja Católica, por aquilo que representa, em termos de compaixão para com as dores e necessidades do próximo. Aliás, as figuras de Verónica, de Maria Santíssima e de Simão de Cirene serviram de mote como os bons exemplos a seguir. Representam as figuras positivas.
O pregador também lembrou as figuras negativas, como Pilatos, mas também outros, como Pedro e outros discípulos que, em vez, ou traíram a confiança do Amigo; ou de Pilatos que, em vez de assumir as suas responsabilidades, na defesa do justo e da justiça e da dignidade humana, optou por “lavar as mãos”, isto é, pelo «politicamente correto».
O padre João Alberto Correia lembrou as mulheres de Jerusalém e sobretudo Simão de Cirene, que inspirou e continua a inspira tantos e tantos homens e mulheres daquele tempo, de todos estes séculos e dos dias de hoje e que certamente continuará a ser figura e modelo inspirador para o presente e para o futuro.
«E naquele Cirineu que ajudou Jesus a levar a cruz, só podemos lembrar e prestar um tributo a tantos homens e mulheres que, nos dias de hoje, pelos caminhos da paixão do nosso tempo e do nosso mundo, ajudam os outros a levar a Cruz. Lembramos de forma agradecida aqueles que visitam os doentes em casa ou nos hospitais. Lembramos os visitadores da prisão, lembramos aqueles que vão ao encontro dos mais pobres e dos mais necessitados».
Pregador lembrou a causa dos excluídos
Sem mencionar a palavra migrantes, o pregador apelou ainda ao acolhimento e à integração daqueles que procuram o país para viver, a fugir da guerra, das perseguições e da miséria.
«Lembramos aqueles que assumem a causa dos excluídos, num tempo em que há muita gente interessada em excluir cada vez mais. Esse não é o caminho, meus amigos, o caminho é o da inclusão, o caminho é o dos braços abertos, o caminho é o do acolhimento, o caminho é este: da mitigação da dor, o caminho é este, de chorarmos a sorte infeliz de tantos irmãos que, por causa da guerra, que por causa da falta de condições humanas, que por falta de inclusão social, deixam quantas vezes as suas terras e partem ao encontro de terras ditas de liberdade e de acolhimento para serem acolhidos, para serem integrados e para se sentirem amados. E porque é que, na nossa sociedade, damos voz àqueles que excluem? Alguém é capaz de me responder? Talvez o silêncio seja a melhor resposta e a meditação seja a melhor atitude para mudarmos formas de proceder, para mudarmos comportamentos que são vergonhosos e ignominiosos porque atentadores da dignidade humana», disse.
No dia Internacional da Mulher, o pregador, colaborador do Diário do Minho, prestou o tributo a todas as mulheres e mães, sobretudo aquelas que carregam as cruzes de filhos apanhados no meio das drogas, do álcool das guerras e outras formas de sofrimento. Como sempre, a histórica Banda Musical de Cabreiros, a atuar em “casa”, ajudou a solenizar a procissão. Os escuteiros também voltaram a dizer presente, assim como os cavalos, que dão imponência à procissão dos Passos.
Novo juiz da Confraria satisfeito com adesão de todos
A Confraria do Senhor dos Passos de Cabreiros tem um novo juiz. Marco Coelho presidiu à sua primeira procissão dos Passos e estava muito contente com a adesão tanto da população como dos figurantes que se predispuseram a participar na procissão. «Correu tudo bem. A população aderiu, temos mais de 200 anjinhos, e muitos outros figurantes. Depois, felizmente, o tempo ajudou e estamos muito satisfeitos», declarou Marco Coelho, que deixou uma palavra de elogiou à anterior direção, que honrou todos os seus compromissos. Este ano, a nova direção da confraria optou por não cortar a estrada nacional, escolhendo um percurso no interior da freguesia, com menos constrangimentos.
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