Arquidiocese de Braga -
13 março 2026
Assinatura de carta marca compromisso da Igreja com comunidades mais seguras
Rita Cunha - DM
Cada vez mais paróquias e instituições se juntam ao projeto “Igreja + Segura”
O Grupo Vita continua a expandir o projeto “Igreja + Segura”, o qual pretende reforçar a prevenção e a proteção de menores e adultos vulneráveis em contexto eclesial. Quinta-feira, dia 12 de março, teve lugar no Colégio D. Diogo de Sousa a assinatura da Carta de Compromisso pelo diretor daquele estabelecimento de ensino, Nuno Cunha; o diretor pedagógico do Colégio de Gaia – Escola Católica, Tiago Carvalho; as paróquias de Tadim, Priscos e Guisande, representadas pelo padre João Torres; a paróquia de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães, representada pelo padre Paulino Carvalho; bem como o Instituto Diocesano de Apoio ao Clero e o Centro de Escuta e Acompanhamento Espiritual, representados pelo padre Jorge Vilaça.
A Carta de Compromissos confirma a adesão ao projeto “Igreja + Segura”, lançado pelo Grupo Vita em novembro de 2025, organismo responsável pelo acompanhamento de situações de violência sexual na Igreja Católica em Portugal. O programa pretende criar ambientes de confiança e proteção através de um processo de certificação. Numa primeira fase, as instituições assumem princípios básicos de prevenção, escuta, transparência e apoio, tornando pública a vontade de integrar um percurso de melhoria contínua.
A responsável pela Equipa de Coordenação Nacional das Comissões de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, Carla Rodrigues, explicou que o projeto «nasce de uma avaliação feita pela Comissão Pontifícia de Proteção de Menores, e vem no sentido de fazermos caminho e garantir comunidades mais seguras em contexto de Igreja», afirmou.
Segundo a coordenadora, a iniciativa pretende abranger todas as dimensões da vida eclesial. «Tudo o que esteja relacionado com a Igreja deve ser pautado por regras e códigos de conduta que garantam comunidades seguras», sublinhou, acrescentando que o objetivo passa igualmente por inspirar práticas semelhantes fora do âmbito religioso.
Carla Rodrigues destacou ainda o significado do momento: «A assinatura traduz um compromisso público de dizer ‘eu quero fazer parte deste movimento seguro’ e assumir ativamente a prevenção e a proteção das crianças e dos adultos vulneráveis». Depois desta assinatura, seguem-se outras fases. A próxima passa por formações à distância. «É importante promover comunidades seguras e que não haja mais abusos. Para haver prevenção temos de estar atentos, informados e ter formação. Mas também é necessário haver disponibilidade para agir», disse.
Da parte do Grupo Vita, Ricardo Barroso enquadrou o projeto como resultado do trabalho formativo desenvolvido nos últimos três anos, cujas formações – com crescente procura – já abarcaram cerca de 4500 pessoas, o que «mostrou a necessidade de organizar procedimentos e prevenir situações futuras».
De acordo com o psicólogo, as entidades aderentes encontram-se em diferentes níveis de preparação, sendo o objetivo harmonizar práticas e apoiar a melhoria contínua. «Algumas instituições já têm tudo organizado e querem aperfeiçoar procedimentos; outras estão a começar agora. O Grupo Vita acompanha cada realidade neste caminho», referiu.
Ricardo Barroso salientou que o projeto tem uma dimensão preventiva mais ampla, preparando instituições para responder também a situações reveladas fora do contexto eclesial. «Pode acontecer que uma criança ou adolescente partilhe uma situação de abuso vivida noutro ambiente, e é essencial saber como agir, o que fazer e até o que não dizer à vítima», afirmou, vincando que «o pior que pode acontecer é as instituições acharem que já sabem tudo e faltarem processos básicos», alertou.
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