Arquidiocese de Braga -
8 julho 2026
Bom Jesus resgata dignidade do Jardim de Camilo
DM - Carla Esteves
O Santuário do Bom Jesus do Monte viu, ontem, «renascer» um dos seus locais mais simbólicos, ao inaugurar o renovado Jardim de Camilo, um espaço que recuperou a sua dignidade e a sua beleza, sendo agora devolvido ao usufruto de todos os que o visitam. A tão aguardada inauguração veio coroar, da melhor forma, o 7.º aniversário da inscrição do Bom Jesus na Lista do Património Mundial da UNESCO, antecipando a abertura de mais duas obras de reabilitação, ainda este ano.
Inserida no projeto Bom Jesus: Requalificar III, cofinanciado pelo Programa Norte 2030, a intervenção no Jardim de Camilo representou um investimento próximo dos 200 mil euros, comparticipado em 75% por fundos europeus e em 25% por capitais próprios da Confraria do Bom Jesus do Monte.
Durante a cerimónia de inauguração, o presidente da Confraria do Bom Jesus do Monte, cónego Mário Martins, afirmou que «mais do que uma simples obra de requalificação, esta intervenção permitiu recuperar e devolver a vida a um espaço que se encontra encerrado, degradado e com evidentes problemas de segurança, em particular devido ao estado do grande muro de suporte».
«Hoje, devolvemos este jardim à comunidade, preservando o património, reforçando a segurança, tornando a estância que envolve o Santuário ainda mais bela e atrativa e enriquecendo a visita de todos os que nos visitam», afirmou.
O presidente da Confraria realçou ainda o significado especial da cerimónia no dia em que se assinala igualmente o 7.º aniversário do Santuário na Lista do Património Mundial da UNESCO.
«Este é um selo de enorme prestígio, que queremos manter, honrar e valorizar ainda mais», disse, lembrando outras iniciativas já concretizadas, como a nova sinalética interpretativa, a conferência de abertura do projeto, a publicação do Guia da Fauna e Flora, entre muitas outras.
O vice-presidente da Confraria do Bom Jesus, Vítor Pereira, salientou também a importância simbólica de inaugurar esta obra neste dia de aniversário, requalificando um espaço que estava «completamente abandonado» e abrindo caminho para a inauguração de mais duas obras importantes.
Por seu turno, o presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, considerou a obra do Jardim de Camilo «um gesto particularmente feliz porque nos lembra que o Bom Jesus não é apenas pedra, é também literatura, é palavra», vincando que o escritor, «com a intensidade que todos lhe reconhecemos, soube olhar para estes lugares não apenas como cenário, mas como matéria viva».
«Dar o seu nome a este jardim é mais do que uma homenagem literária. É uma forma de juntar duas dimensões essenciais de Braga: o património e a cultura», disse, deixando uma palavra de reconhecimento à Confraria do Bom Jesus do Monte pelo trabalho realizado.
Casa dos Correios e Apeadeiro Inferior ficam prontos este ano
A Confraria do Bom Jesus do Monte deixou, ontem, a garantia de que as obras da Casa dos Correios, que será o futuro Centro Interpretativo do Bom Jesus, e do Apeadeiro Inferior do Funicular serão inauguradas ainda durante este ano, antes da conclusão do projeto, prevista para dezembro de 2026.
«Vamos, por isso, continuar a cumprir o calendário que assumimos. A Confraria do Bom Jesus do Monte tem uma longa história de compromisso com este Santuário», afirmou o cónego Mário Martins.
O presidente da Confraria do Bom Jesus agradeceu ainda o empenho dos parceiros institucionais, entidades financiadoras, técnicos, projetistas, trabalhadores envolvidos e comunidade local.
Arquidiocese quer que o Bom Jesus seja porta «aberta para o futuro»
O Bispo Auxiliar de Braga, D. Nélio Pita, afirmou, ontem, que «a Arquidiocese de Braga, como instituição secular, está empenhada em contribuir para que este espaço não seja uma peça de arqueologia, mas uma porta aberta para um futuro que queremos alcançar».
«Desejamos que este espaço verdejante seja sempre um oásis de esperança e de paz, valores profundamente enraizados na matriz cristã», afirmou D. Nélio Pita, depois de esclarecer que a Arquidiocese pretende que o Bom Jesus acolha experiências de fé, de encontro entre culturas e de acolhimento de todos os homens e mulheres dos mais diversos quadrantes.
O prelado enfatizou que «ao longo dos séculos, a Igreja foi a mãe das artes mais nobres».
«A linguagem da beleza, expressa numa cultura concreta, num determinado tempo e lugar, obriga-nos, hoje como ontem, a manter o compromisso de defesa do bem comum, a valorizar o património e a reavivar certas tradições que já estão associadas à nossa identidade», afirmou.
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