Arquidiocese de Braga -

12 julho 2026

D. José Cordeiro desafia peregrinos a serem «artesãos da paz»

Fotografia Matilde Veiga

DM - Rita Cunha

O Santuário de São Bento da Porta Aberta acolheu ontem a 2.ª Romaria em honra de São Bento da Porta Aberta, numa jornada marcada pela fé, pela tradição e pela presença de muitos peregrinos vindos de vários pontos do país e do globo. Muitos dirigiram-se ao Santuário para pedir proteção, agradecer graças recebidas e cumprir promessas, numa expressiva manifestação de devoção ao santo.

O momento mais solene da romaria foi a celebração da Eucaristia, presidida pelo Arcebispo Primaz de Braga, D. José Cordeiro, que, na homilia, destacou a atualidade da espiritualidade beneditina e deixou um forte convite à construção da paz. Recordando que a Igreja é um povo peregrino e que naquele dia se celebrava também São Bento como Padroeiro da Europa, D. José Cordeiro afirmou que os caminhos de fé conduzem necessariamente à fraternidade e à reconciliação. «A Páscoa e a paz não são uma utopia; são um caminho humilde, que exige gestos quotidianos e concretos, para que possamos ser artesãos da paz», disse.

O Arcebispo sublinhou ainda que quem se dispõe a percorrer os Caminhos de Santiago e os Caminhos de São Bento «dispõe-se à paz», apelando a que cada pessoa, de acordo com a sua responsabilidade, idade e vocação, se torne promotora da paz no mundo e nas comunidades: «Sejamos artesãos e, quando possível, arquitetos da paz, para que este santuário seja cada vez mais uma casa de paz e uma casa da paz».

D. José Cordeiro evocou a figura de São Bento, lembrando que a sua Regra, escrita há quase 1 500 anos, continua a inspirar a vida cristã e numerosas congregações religiosas. O santo de Núrsia, disse, centrou a sua vida em Jesus Cristo e contribuiu para a formação das pessoas, promovendo a cultura, a agricultura, o bem comum e a dignidade da pessoa humana.

Num momento particularmente simbólico, o Arcebispo felicitou os responsáveis pela participação das crianças Benedita e Rodrigo, que recriaram São Bento e Santa Escolástica durante a celebração. A propósito, destacou que os valores se transmitem sobretudo na simplicidade da vida familiar, à mesa e no caminho das peregrinações. «O Reino de Deus é dos simples, dos humildes e dos pacíficos», afirmou.

O prelado insistiu que a humildade não é fraqueza nem ignorância, mas «grandeza de coração», e advertiu que a verdadeira felicidade não se encontra no poder, na fama ou na riqueza, mas na confiança em Deus e na perseverança até ao fim do caminho.

Ao contemplar a crescente afluência de peregrinos, muitos deles jovens e chegados a pé ao santuário, D. José Cordeiro manifestou a sua alegria por ver aumentar o interesse pelos Caminhos de São Bento e pelos Caminhos de Santiago. Para o Arcebispo, o peregrino aprende que deve levar apenas o essencial e que o maior cansaço é desistir do sentido da vida.

A concluir, convidou todos os presentes a escutar «com o ouvido do coração» a Palavra de Deus e a rezar pela paz no mundo, pelas vítimas da guerra, da fome e das catástrofes naturais, recordando também as vítimas do recente terramoto na Venezuela. Pediu que nunca faltem «mensageiros de paz» capazes de levar esperança, alegria e o desejo de fazer sempre o bem, «bem feito».

Seguiu-se a tradicional procissão em honra de S. Bento da Porta Aberta, que voltou a reunir uma multidão de fiéis no recinto do Santuário.