Arquidiocese de Braga -
1 agosto 2026
Relíquias de S. Martinho de Tours relevam valor religioso e cultural de Dume
DM - Carla Esteves
O Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, presidiu, ontem, na igreja de S. Martinho de Dume, à cerimónia de inauguração de um novo relicário contendo uma relíquia de S. Martinho de Tours. D. José reforçou o profundo significado deste momento em que as relíquias de S. Martinho de Tours voltam a ser veneradas na igreja que lhe foi dedicada pela especial devoção de S. Martinho de Dume.
«O título de Primaz das Espanhas ao Arcebispo de Braga a S. Martinho de Dume se deve, ele que tinha uma especial devoção a S. Martinho de Tours. Eles provêm da mesma região e, a todos os níveis, na evangelização, na cultura, para o seu tempo, são aquilo a que nós chamamos hoje, à distância crítica, os Padres da Igreja», afirmou D. José Cordeiro.
O arcebispo salienta que «Dume permanece como esse lugar emblemático» e S. Martinho de Dume ou de Braga «é uma figura internacional, universal e emblemática, remetendo aos tempos de ouro, da implementação da liturgia, da espiritualidade, da pastoral».
O Arcebispo Primaz enalteceu ainda a tradução da obra “Apotegmas dos Padres do Egito” como forma de dar a conhecer o património da fé.
Por seu turno, o pároco de Dume, Cónego Hermenegildo Faria, grande mentor desta iniciativa, que assinalou, de forma simbólica, o reencontro entre os dois Martinhos (o Bispo de Tours e o Bispo de Dume), reforçou a importância histórica, religiosa e cultural da mesma. Recordou que a Basílica de Dume terá sido fundada precisamente para acolher as relíquias de S. Martinho de Tours, de quem S. Martinho de Dume era grande devoto.
«Quando S. Martinho de Dume chegou a Braga, há 15 séculos, vinha com a missão de trazer uma relíquia de S. Martinho de Tours, seu homónimo e compatriota. Importa destacar a importância que a presença de S. Martinho de Dume teve na História, na evangelização e formação do reino suevo, sendo considerado um dos pais de Portugal», afirmou.
As relíquias não são as trazidas por S. Martinho de Dume para Braga (que entretanto desapareceram), mas outras que foi possível trazer para Braga, fazendo regressar a Dume a memória material do Santo a quem foi dedicada a antiga Basílica.
Na cerimónia foram também descerradas duas placas, contendo textos fundamentais para a História de Dume, nomeadamente a inscrição consagratória da antiga basílica sueva e o epitáfio de S. Martinho de Dume.
«As placas originais desapareceram, mas o texto foi-nos transmitido. Foi feita uma tradução desse texto latino, que foi transferida para estas placas, com uma tradução portuguesa ao lado, como documento histórico», esclareceu.
Hino a S. Martinho de Tours e livro enriquecem cerimónia
Um dos principais momentos culturais da cerimónia consistiu na apresentação do Hino em Honra de S. Martinho de Tours, composto pelo cónego Hermenegildo Faria para dois sopranos, violino e órgão, que foi interpretado por solistas da Escola Arquidiocesana de Música Litúrgica São Frutuoso.
«Trata-se de uma composição minha, orquestrada por Henrique Carrapatoso», revelou.
Apresentado foi também o livro “Apotegmas dos Padres do Egito”, editado pelo Secretariado Nacional de Liturgia. O original foi traduzido do grego para o latim por S. Martinho de Dume, sendo esta edição uma tradução para português a partir da tradução para latim feita por S. Martinho de Dume.
A tradução é da autoria do cónego Hermenegildo Faria, que efetuou também a introdução e contextualização da obra.
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