Arquidiocese de Braga -
3 agosto 2026
Arcebispo de Braga apela à repartição justa dos bens na Festa de São Gualter
DM - Cristiana Barbosa e Jorge Oliveira
A Igreja de São Francisco, em Guimarães, esteve ontem repleta de fiéis para a celebração da festa litúrgica em honra de São Gualter, presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro.
A celebração, organizada pela Irmandade de São Gualter e pela Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, integrou-se nas Festas da Cidade e contou também com a presença do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo.
Na homilia, D. José Cordeiro destacou a feliz coincidência do dia de S. Gualter calhar ao domingo e durante o jubileu franciscano que evoca os 800 anos do falecimento de São Francisco de Assis.
«Celebramos um duplo jubileu», afirmou o prelado, notando que esta «graça» reforça o simbolismo da festa dedicada a São Gualter, discípulo de São Francisco de Assis. D. José Cordeiro expressou «enorme alegria e gratidão» por esta celebração eucarística, no âmbito das Festas Gualterianas – que se realizaram já no contexto da preparação dos 900 anos da fundação de Portugal – e pediu a intercessão de São Gualter para que «sejamos cada vez mais pessoas de paz e de justiça».
«Aquilo que levou à construção da nação portuguesa, e a partir daqui de Guimarães, possa ser reorganizado, remotivado, para que juntos sejamos este contributo positivo na construção do bem comum, na construção da justiça, da paz, da dignidade da pessoa humana», defendeu.
Mencionando a referência feita pelo Papa Leão XIV à “Festa do Perdão”, de Assis, no final da oração do Angelus, no Vaticano, D. José Cordeiro desejou que o espírito franciscano «faça renovar gestos concretos de paz, de proximidade, de fraternidade».
Partindo da passagem evangélica da multiplicação dos pães, o prelado referiu que Jesus continua hoje a pedir aos cristãos respostas perante os casos de fome, de guerra e fragilidade.
«O bem, bem feito e bem repartido, chega para todos e ainda sobra. O problema é quando alguns querem ficar com o bem que pertence a todos», afirmou, defendendo uma distribuição mais justa dos recursos e maior compromisso com um sentido maior do bem comum.
D. José Cordeiro concluiu a homilia exortando os fiéis a renovarem o compromisso com a construção de uma sociedade «mais bela, mais justa, mais humana», sustentada na esperança, solidariedade e na promoção da dignidade de cada pessoa.
Solene Procissão de S. Gualter levou fé, devoção e tradição às ruas de Guimarães
As ruas de Guimarães voltaram a encher-se de fé e religiosidade no encerramento das Festas Gualterianas, com a realização da Solene Procissão de São Gualter, presidida pelo arcipreste da Vigararia de Guimarães e Vizela, padre Samuel Vilas Boas.
O cortejo religioso reuniu cerca de 250 miúdos e graúdos, divididos entre figurados nos andores, elementos com bandeiras e devotos, que se juntaram numa manifestação de profunda entrega ao padroeiro da cidade.
A celebração arrancou na Fonte Santa, na freguesia de Urgezes, local histórico onde o frei franciscano se isolava para orar no século XIII. O Busto-Relicário de São Gualter, que guarda no seu interior as relíquias do santo, saiu às 17h30 rumo ao centro urbano.
O cortejo integrou, também, a imagem jacente e o andor principal com a imagem de São Gualter, da autoria do escultor José Ferreira Thedim, o mesmo criador da imagem do Senhor da Capelinha das Aparições.
O arranque do cortejo no pouso do santo carrega um simbolismo muito importante para a comunidade local, salientou o presidente da Junta de Freguesia de Urgezes, Luís Abreu, lembrando que aquele era o espaço onde São Gualter «se refugiava para orar e para pensar», fugindo da confusão do centro da vila.
O autarca destacou o trabalho dos moradores da Fonte Santa, que «meteram mãos à obra e colocaram isto tudo à vista» após anos de abandono, devolvendo nova vida ao espaço que integra o Caminho de Torres para Santiago de Compostela.
Embora o epicentro da festa decorra no centro da cidade, a população faz comunidade à volta desta fonte e é muito relevante «ter a fonte aqui ativa e nestas condições de ser sempre visitada», acrescentou Luís Abreu.
Para o município de Guimarães, a procissão representa o momento cimeiro da vertente espiritual do programa festivo.
O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, sublinhou que estas festas têm «um pendor também religioso grande» e que a procissão marca, precisamente, o ponto mais alto dessa dimensão, atraindo multidões à rua. O edil reforçou a certeza de que o evento mobiliza muitos visitantes de fora da cidade, garantindo que «os vimaranenses recebem sempre de braços abertos» quem se junta às celebrações.
A preparação da caminhada religiosa estendeu-se ao longo de vários meses, numa organização conjunta entre a Irmandade de São Gualter e a Venerável Ordem Terceira de São Francisco.
O irmão da Irmandade de São Gualter, Francisco Pereira, expressou que a irmandade «cumpre anualmente a sua missão pastoral de promover o culto» e frisou que a organização se sente feliz por ver que o santo «se mantém profundamente vivo» no coração dos vimaranenses.
Esta presença constante nas ruas assegura que o sentimento de dever cumprido continua a guiar os devotos locais. Com a recolha do cortejo, renova-se o compromisso de manter ativa a devoção popular na cidade.
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