Arquidiocese de Braga -

25 agosto 2026

Igreja de Braga faz história ao abrir o túmulo-relicário de São Geraldo

Fotografia DR

DM - Francisco de Assis

A Igreja de Braga assinalou o dia 12 de agosto como «histórico», com a abertura, pela primeira vez em mais de cem anos, do túmulo-relicário do arcebispo São Geraldo. Em comunicado, o Cabido da Sé Primacial classificou o acontecimento de particular relevância histórica, religiosa e patrimonial, uma vez que se trata de uma das figuras maiores da história da Igreja e da cidade de Braga.

Para contextualizar o acontecimento, o Cabido da Sé refere que o estado de deterioração da base que sustentava a imagem jacente, situada sobre o altar da Capela de São Geraldo, havia deixado a descoberto uma tampa de madeira, dotada de fechadura, pertencente à arca do altar. Um conjunto escultórico fora colocado sobre o túmulo-relicário por ordem do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, aquando da trasladação das relíquias para o altar que mandara construir em honra do santo, em 1712.

«No início dos trabalhos, os técnicos do Gabinete de Conservação e Restauro da Arquidiocese de Braga removeram, para tratamento, o varandim da câmara funerária, a imagem jacente e a respetiva base – em forma de leito –, bem como os painéis barrocos de talha dourada que revestiam as faces laterais do conjunto. Esta intervenção revelou a existência de um sarcófago medieval, executado em pedra de Ançã – um tipo de calcário –, no qual, segundo os relatos conhecidos, deveriam encontrar-se, dentro de uma pequena arca de prata, as relíquias insignes do venerável arcebispo que governou a Igreja de Braga entre 1095 e 1108», pode ler-se.

Descobertas surpreendentes

De acordo com o comunicado do Cabido, a imagem jacente de S. Geraldo, colocada no topo do conjunto sepulcral, revelou-se, após a sua remoção e colocação junto da campa rasa de D. Rodrigo de Moura Teles, «em excelente estado de conservação. Trata-se de uma obra notável do mestre entalhador Miguel Coelho, que representa o santo moribundo e evoca o episódio segundo o qual São Geraldo teria pedido fruta antes de morrer. Este acontecimento está na origem da tradição anual de colocar oferendas de fruta em torno da imagem, no dia 5 de dezembro, festa do padroeiro da cidade de Braga», lembra.

O Cabido explica ainda que, após a leitura do auto de abertura do túmulo-relicário e a recitação das orações próprias pelo Senhor Arcebispo Primaz, D. José Cordeiro ordenou a abertura do sepulcro, pronunciando as palavras: “Aperiatur sepulchrum!” “Abra-se o sepulcro”.

O comunicado refere ainda que o Arcebispo de Braga procedeu à abertura da tampa da arca, utilizando a chave original do século XVIII, encontrada no chaveiro da sacristia da Sé pelo coordenador dos Serviços, Diogo Martins.

Bota de S. Geraldo vai para Tesouro-Museu

Segundo os responsáveis, a remoção da última tampa de madeira revelou algo verdadeiramente extraordinário e inédito: «os restos esqueléticos do santo arcebispo, ainda revestidos por uma casula vermelha de linho, ornamentada com aplicações decorativas e galões dourados. Verificou-se que o crânio, embora conservasse a mandíbula e alguns dentes, se encontrava bastante fragmentado».

O documento enviado ao Diário do Minho dá conta do conteúdo do túmulo, nomeadamente as ossadas e os paramentos.

Alguns objetos foram retirados em 1712 e, agora, por determinação do Arcebispo Metropolita de Braga, foram retirados outros para diferentes fins, como detalharemos numa próxima edição do DM. Para já, fica a informação de que foi encontrada uma bota que será exposta no Tesouro-Museu da Sé, junto do cálice atribuído a São Geraldo, após trabalhos de conservação e restauro.