Arquidiocese de Braga -

4 outubro 2026

Bom Jesus inspira subida ao encontro do património, da literatura e da mudança

Fotografia DM

DM - Carla Esteves

«Há lugares a que chegamos. E há lugares que, de alguma maneira, chegam até nós». Foi desta maneira sugestiva que a Pastoral da Cultura da Arquidiocese de Braga, em parceria com a Confraria do Bom Jesus do Monte, lançou o convite para um novo ciclo de conferências, intitulado “A Arte de Subir”. Composto por três encontros, ou três olhares sobre a literatura, o património e a experiência humana, o ciclo começou, ontem, com uma primeira sessão intitulada “Bom Jesus do Monte: memória, cultura e responsabilidade”, que contou com intervenções do cónego José Paulo Abreu, docente da Universidade Católica Portuguesa; de Varico Pereira, vice-presidente da Confraria do Bom Jesus, e introdução do diretor do Departamento Arquidiocesano para a Cultura, cónego Eduardo Duque.

Em declarações ao Diário do Minho, o cónego José Paulo Abreu destacou a riqueza do Bom Jesus como uma “memória” viva em múltiplas dimensões: bíblica, artística, eucarística e mística, tendo sido, por isso, eleito como ponto de partida e como metáfora central para este ciclo.

«O Bom Jesus não nasceu porque alguém se lembrou de o desenhar caprichosamente. Foi feito a pensar numa lição de mística», sublinhou, convidando os participantes a fazer uma caminhada que «funda o céu com a terra».

Segundo o cónego José Paulo Abreu, a sua intervenção visou transmitir a mística do Bom Jesus.

«Já que se fala em subir, vamos até esbater o terreno que separa a terra do céu. Vamos fundir o céu com a terra, porque é isso a que o Bom Jesus nos convida: a fundir o céu com a terra», sintetizou.

Por seu turno, o vice-presidente da Confraria do Bom jesus, Varico Pereira, clarificou a importância do Bom Jesus do Monte enquanto Património Mundial da Unesco e enquanto lugar vivo, soma de arquitetura, natureza e espiritualidade.

Varico Pereira realçou também a importância de iniciativas como esta para dar visibilidade ao património cultural e ao trabalho de gestão do santuário.

«É muito importante trazer gente ao Bom Jesus e mostrar outras realidades que nem sempre são visíveis à primeira vista», afirmou, destacando o valor de comunicar as decisões e a dedicação da instituição ao público.

Também o presidente da mesa administrativa da Confraria do Bom jesus, cónego Mário Martins, reforçou que o Santuário ultrapassa o conceito de mero local de passagem ou turismo, definindo-se como «um espaço de elevação humana e espiritual».

«A arte de subir significa esta arte de elevar a nossa vida para a dimensão espiritual, para Deus», referiu, acrescentando que, em tempos difíceis, a experiência da peregrinação e os valores do Evangelho ajudam a «fazer da nossa vida uma verdadeira arte».

Por seu turno, o cónego Eduardo Duque, diretor do Departamento Arquidiocesano para a Cultura, entidade responsável pela organização do evento, explicou que a Pastoral da Cultura desenhou o programa deste evento «de forma a ir além da subida física aos emblemáticos escadórios, desafiando cada pessoa a realizar também uma subida interior».

«Tentámos realizar aqui um jogo, uma metáfora: o Bom Jesus é alto, e são muitos os que gostam de subir os seus escadórios. Mas, além da subida física, há também uma subida interior que cada um tem de fazer», afirmou, acrescentando que, além da experiência física de subir os emblemáticos escadórios, cada pessoa é desafiada a elevar-se interiormente.

«Trata-se de dialogar com as tradições e com as memórias para que cada um possa refletir sobre de onde vem, onde está e para onde quer ir», argumentou.