Arquidiocese de Braga -
12 outubro 2026
Santuário de Balasar deve oferecer aos peregrinos «silêncio e contemplação»
DM - Jorge Oliveira
A Arquidiocese de Braga rejubilou, ontem, com a dedicação do altar e da igreja do Santuário Eucarístico de Balasar, numa celebração presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal e que reuniu milhares de devotos e peregrinos no interior e no exterior do templo. Depois da trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina da igreja paroquial para a capela tumular da nova igreja do Santuário, no sábado, a Igreja de Braga e, em particular, a comunidade de Balasar viveram outro momento histórico com a inauguração deste edifício religioso, em forma de tenda, cujo investimento ascendeu a 14 milhões de euros.
Na homilia da celebração da dedicação, o Núncio Apostólico desejou que o Santuário Eucarístico de Balasar seja um «espaço de silêncio e contemplação», capaz de aproximar os peregrinos de Cristo através da Palavra de Deus e da celebração dos Sacramentos.
«Que faça nascer em muitos a nostalgia de Deus e os ajude a encontrar-se com Cristo na escuta da Palavra, da qual Nossa Senhora é modelo, e na celebração dos Sacramentos, particularmente na Reconciliação, caminho de conversão, e na Eucaristia, na qual recebemos o próprio Cristo», afirmou.
O representante do Papa Leão XIV em Portugal destacou a importância da Eucaristia na vida cristã e apresentou a Beata Alexandrina como exemplo de santidade, amor e entrega a Deus.
D. Andrés Carrascosa Coso sublinhou que a santidade pode crescer nas circunstâncias comuns da vida, mesmo no sofrimento e na doença, recordando o testemunho de Alexandrina, cuja espiritualidade «foi profundamente marcada pela Eucaristia e pela oração».
O responsável apelou ainda a que os cristãos transformem o sofrimento em amor, coloquem os seus dons ao serviço dos outros e sejam testemunhas de Cristo através da própria vida. «O amor a Cristo é o segredo da santidade», recordou, citando São João Paulo II, na beatificação de Alexandrina, em 25 de abril de 2004.
Na homilia da dedicação da nova igreja e do altar do Santuário, que guarda as relíquias da Beata Alexandrina de Balasar, o Núncio dedicou ainda parte da sua intervenção a explicar o significado dos símbolos que fazem parte da celebração da dedicação do altar e da igreja, nomeadamente a água, o crisma, o incenso e a luz. Incentivou o clero a fazer com que a sua vida seja um testemunho, lembrando que o cristão é chamado a ser «o bom perfume de Cristo». «As palavras contam cada vez menos. As pessoas estão cansadas de palavras e procuram testemunhas de vida», notou, acrescentando que, numa sociedade «tantas vezes desorientada», os cristãos têm a «responsabilidade de ser pontos de referência».
No início da homilia, o representante do Papa expressou a sua alegria por estar em Balasar a partilhar a celebração da dedicação do altar e da igreja, celebração que, afirmou, gostaria que fosse também um momento de confirmação na fé. D. Andrés Carrascosa Coso pediu aos milhares de devotos e peregrinos presentes que rezassem por Leão XIV, que anunciou ontem, no Vaticano, que em breve será submetido a uma intervenção cirúrgica para lhe ser removido um nódulo no pulmão.
D. José pede comunicação de graças e documentação
No final da celebração, o Arcebispo Metropolita de Braga pediu aos miraculados por intercessão da Beata Alexandrina que comuniquem à Arquidiocese as graças recebidas e forneçam a documentação relativa à doença de que padeciam.
«Nós precisamos dessa documentação para que o Dicastério para a Causa dos Santos dê seguimento a este processo no desafio da complexidade que vivemos neste mundo», declarou.
O prelado referiu-se à Beata Alexandrina como uma «grande missionária» e «modelo eloquente» de santidade, que agora repousa na capela tumular da nova igreja do Santuário de Balasar, em forma de tenda, de cujo altar se ergue uma cruz em direção ao alto.
«O Santuário Eucarístico serve para evidenciar a centralidade da celebração e adoração da Eucaristia como uma prioridade pastoral e espiritual. Esta é uma casa para todos e também um lugar de oração pelas vocações da Igreja. Quem chega a Balasar deve encontrar uma porta aberta e alguém contente para o escutar», referiu.
D. José Cordeiro deixou uma palavra de gratidão a todos os que estiveram envolvidos na construção do Santuário, desde a conceção do projeto à execução da obra, assim como a todos os que ajudaram e colaboraram na edificação deste templo. Agradeceu ainda a todos os que ajudaram e colaboraram na organização das celebrações de sábado e de ontem, sem esquecer os benfeitores.
O prelado aproveitou para lembrar que o Santuário vai continuar a «precisar muito da generosidade de mais benfeitores», para que «o custo da obra possa ser cumprido» e «outros desafios possam ser também abraçados».
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