Arquidiocese de Braga -

13 outubro 2026

D. José Cordeiro em Fátima: «A paz pela qual rezamos começa dentro de nós»

Fotografia Santuário de Fátima

O Arcebispo de Braga alertou, esta terça-feira, 13 de outubro, em Fátima, para as consequências das guerras, o aumento do custo de vida e as dificuldades de acesso à habitação em Portugal.

«A paz pela qual rezamos começa dentro de nós. Começa quando deixamos de alimentar conflitos, quando aprendemos a perdoar, a escutar e a procurar o bem comum.» A afirmação marcou a homilia de D. José Cordeiro, Arcebispo Metropolita de Braga, proferida esta terça-feira, 13 de outubro, em Fátima, sob o tema «Peregrinos do Essencial».

Partindo da pergunta de Jesus aos discípulos — «E vós, quem dizeis que Eu sou?» —, o Arcebispo sublinhou que a fé cristã não pode limitar-se ao conhecimento doutrinal ou à participação em práticas religiosas, mas deve traduzir-se numa relação pessoal com Cristo, capaz de transformar a vida.

«A fé que recebemos da Igreja precisa de se tornar vida, o conhecimento sobre Jesus Cristo precisa de se transformar em encontro com Ele», afirmou, explicando que a pergunta de Jesus não pretende avaliar conhecimentos teológicos, mas levar cada pessoa a reconhecer o significado concreto da fé na sua existência.

Para D. José Cordeiro, o encontro com Cristo não pode reduzir-se a «uma expressão cultural ou cultual», exigindo uma resposta pessoal que se manifeste nas atitudes e nas relações com os outros.

Guerras, custo de vida e habitação marcam a reflexão

O Arcebispo de Braga relacionou esta exigência de autenticidade da vida cristã com algumas das principais preocupações da sociedade contemporânea, nomeadamente os conflitos armados e as suas consequências económicas e sociais.

«Vivemos um tempo marcado pelas guerras e os impactos, nomeadamente económicos, que essas guerras têm na nossa vida. O custo de vida aumentou de forma generalizada, algo que se veio juntar às grandes dificuldades de alojamento e habitação que já se sentiam no nosso país», afirmou.

Perante estas realidades, D. José Cordeiro considerou particularmente atual a pergunta sobre o significado de seguir Jesus Cristo num mundo marcado pela guerra, pela insegurança e pela divisão.

«Significa não permitir que o medo ou o desânimo tenham a última palavra, mas deixar que o encontro com Cristo transforme também a nossa maneira de olhar o mundo e de estar nele», explicou.

«A paz que pedimos ao mundo» começa na conversão pessoal

A construção da paz constituiu um dos principais eixos da homilia, com o Arcebispo a sublinhar que a oração pelo fim das guerras deve ser acompanhada por uma mudança concreta das atitudes individuais e comunitárias.

«Nós podemos rezar pela paz e pela conversão dos corações daqueles que propagam a guerra e os interesses a ela associados. Todavia, precisámos de pacificar o nosso coração, rejeitando as lógicas de poder e de procura do bem próprio», afirmou.

D. José Cordeiro alertou também para os conflitos e discussões que surgem frequentemente por motivos menores, recordando que a paz começa nas relações mais próximas.

«Com o coração pacificado, poderemos ajudar a promover a paz nas nossas famílias, nas nossas comunidades paroquiais e nos nossos lugares de trabalho», afirmou.

O Arcebispo salientou que a construção de uma sociedade mais pacífica depende também dos gestos quotidianos de cada pessoa, mesmo daqueles que parecem menos significativos.

«A paz que pedimos ao mundo começa por aquela pequena, mas decisiva, conversão pessoal que Deus espera de cada um de nós», acrescentou.

Beata Alexandrina recordada no aniversário da sua morte

Na homilia, D. José Cordeiro evocou a Beata Alexandrina Maria da Costa, de Balasar, falecida a 13 de outubro de 1955, precisamente há 71 anos, data em que também se celebra a sua memória litúrgica.

O Arcebispo recordou a profunda ligação da Beata Alexandrina a Nossa Senhora de Fátima, salientando a confiança filial com que se dirigia à Virgem Maria, a quem chamava «Mãezinha».

Referiu ainda que Alexandrina praticava a devoção dos primeiros sábados do mês e desejou que na sua sepultura fossem colocadas uma cruz e uma imagem de Nossa Senhora de Fátima.

D. José Cordeiro apresentou o testemunho da Beata Alexandrina como exemplo de uma espiritualidade mariana centrada em Cristo, na qual a relação filial com Maria conduz a uma entrega cada vez mais profunda a Deus e aos outros.

«Esta é a Igreja que eu amo!»

A celebração coincidiu também com o aniversário da dedicação da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, circunstância que levou o Arcebispo a refletir sobre a identidade e a missão da Igreja.

Recordando que os batizados constituem um corpo vivo, D. José Cordeiro sublinhou a responsabilidade de todos na construção de comunidades marcadas pela comunhão e pela paz.

A figura de Maria foi apresentada como imagem da Igreja, chamada a viver na fidelidade a Cristo e a ser presença de unidade no mundo.

«Esta é a Igreja que eu amo! Caros irmãos e irmãs: é preciso acreditar e amar a Igreja, serva e esposa de Jesus Cristo!», afirmou.

O Arcebispo manifestou o desejo de que a Igreja, «num mundo dilacerado pela discórdia», seja um sinal profético de unidade e concórdia.

A homilia terminou com uma oração a Nossa Senhora do Rosário, confiando-lhe o sofrimento da humanidade e pedindo a transformação interior necessária à construção da paz.

«Ó Virgem do Rosário, da Fátima Senhora, fazei do nosso coração um lugar de paz. E, numa prece final, acolhei o nosso grito imortal: por toda a humanidade que sofre, rogai, Mãe, rogai.»


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