Arquidiocese de Braga -

22 outubro 2026

«Ser batizado é ser missionário»: D. José Cordeiro apela à renovação da Igreja

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Na solenidade de São Martinho de Braga, na Sé Primaz, o arcebispo pediu coerência entre a fé professada e as atitudes quotidianas e recordou que a missão começa nos lugares onde se vive.

O arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, apelou esta quinta-feira, 22 de outubro, a uma renovação da Igreja centrada em Jesus Cristo e concretizada na vida de cada cristão. Na homilia da solenidade de São Martinho de Braga, na Sé Primaz, sublinhou que a conversão ao Evangelho exige assumir os compromissos do Batismo: «Ser batizado é ser missionário, mesmo sem sair da nossa terra».

Sob o título «Renovar à luz do Evangelho», D. José Cordeiro apresentou São Paulo e São Martinho como referências de uma vida dedicada ao anúncio de Cristo. Recordando o percurso do santo que deixou a sua terra e veio para a região de Braga, afirmou: «Precisamos de renovar em nós o zelo de Paulo e de Martinho e o seu ardor missionário».

Esse anúncio tem lugar nas realidades mais próximas. Citando a mensagem da Conferência Episcopal Portuguesa para o Centenário do Dia Mundial das Missões, o arcebispo lembrou que a missão passa pelas cidades e aldeias, pelas escolas e universidades, pelas famílias e pelos locais de trabalho. Inclui a proximidade a quem se afastou da fé, às gerações que não receberam o anúncio cristão e o encontro quotidiano com pessoas de diferentes culturas e tradições religiosas.

A propósito dos meios de comunicação disponíveis, deixou um apelo à responsabilidade dos cristãos: «Com tantas formas de comunicar ao nosso dispor nos dias de hoje, talvez já não tenhamos mais desculpas para nos demitirmos da missão de anunciar Cristo».

D. José Cordeiro enquadrou esta responsabilidade no plano pastoral da Arquidiocese, que, desde 2023, prepara a comemoração dos dois mil anos da Páscoa, em 2033. Sublinhou que este percurso continua a seguir «o trilho da conversão ao Evangelho», num horizonte de comunhão, participação, missão, formação e santidade.

A dimensão comunitária da fé ocupou também um lugar central na homilia. Partindo da imagem da Igreja como Corpo de Cristo, o arcebispo afirmou que «não é possível viver a fé cristã de um modo individualista». A união entre os cristãos ultrapassa o lugar e o tempo em que vivem e implica reconhecer que a vida de cada um influencia a dos outros.

Nesta comunhão, também as orações, as dores, os sofrimentos e as alegrias podem ser oferecidos a Deus, contribuindo para a santificação de toda a Igreja. «Vivemos em dependência uns dos outros, e a vida de uns influencia a vida de outros», observou.

No final, D. José Cordeiro voltou à coerência entre aquilo que se acredita e a forma como se vive, apontando-a como marca do testemunho de São Paulo e de São Martinho. «Que cada um de nós tenha pelo menos este desejo de não contrariar nas atitudes diárias a fé professada quando nos reunimos para celebrar», concluiu.


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