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Pe. Jorge Vilaça | Braga| 20 Out 2022
Celebre-se às escuras!
Pe. Jorge Vilaça, sacerdote da Arquidiocese de Braga e membro da equipa do CMAB
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  © Júlia Duro | Braga

No penúltimo domingo deste ano litúrgico (13 de Novembro), por iniciativa do Papa Francisco, celebraremos o 6º dia mundial dos pobres. Esta jornada pretende ser, nas palavras do Papa, uma “sadia provocação” para a Igreja. Está dito o objetivo: ser profecia. Definitivamente não é o dia dos pobrezinhos.

Na mensagem que nos dirigiu faz, por isso, a necessária e respeitosa diferença entre a pobreza imposta e a pobreza escolhida. A primeira, “desesperada e sem futuro”, “que humilha e mata” é “a miséria, filha da injustiça, da exploração, da violência e da injusta distribuição dos recursos (...) deixa de haver salário justo, horário justo de trabalho (...) pessoas sem alternativa (que) devem aceitar este veneno da injustiça a fim de ganhar o mínimo para comer”. Se a pobreza pode ser suja, rota e visualmente identificada, hoje é cada vez mais descendente do salário mínimo ou da pensão de reforma. Um salário no final do mês já não é sinal de possibilidade de vida condigna. Frequentemente é pobreza ainda mais precária e envergonhada, escondido na pessoa que trabalha 7 dias por semana em dois empregos diferentes.

Por outro lado, continua o Papa, a pobreza escolhida é aquela que “liberta e dá serenidade”, “que se nos apresenta como uma opção responsável para aliviar o peso de quanto há de supérfluo e apostar no essencial”. Esta, “embate na lógica humana: há uma pobreza que nos torna ricos”. Por isso, “os pobres antes de serem objeto da nossa esmola, são sujeitos que nos ajudam a libertarmo-nos das armadilhas da inquietação e da superficialidade”. Não chegamos lá sozinhos: só no encontro desarmadilhado e fraterno com os mais pobres nos damos conta da miopia do coração. É desta pobreza escolhida, inteligência e virtude, que podemos esperar profecia.

Continua a sadia provocação do Papa: “cada domingo, durante a celebração da santa missa (...) colocamos em comum as nossas ofertas para que a comunidade possa prover às necessidades dos mais pobres”. A intenção original do ofertório é efetivamente para os mais pobres. Dirão muitos: “os ofertórios não chegam sequer para pagar a energia da igreja!”. Ora, se este Dia Mundial do Pobre pretende ser uma sadia provocação, sobretudo para os cristãos que escolhem a pobreza como um estilo de vida, porque não celebrarmos este dia, na igreja ou em casa, fazendo profecia? Se o ofertório não chega para os pobres e para pagar as despesas da energia da igreja, desliguem-se as luzes, sistemas de som, aquecedores, televisores, sinos... Talvez tenhamos de fazer uma escolha evangelicamente radical, ao menos por um dia: prestar auxílio aos mais pobres ou pagar a energia da igreja! O Papa deixa-nos o termómetro: “não estamos no mundo para sobreviver, mas para que, a todos, seja consentida uma vida digna e feliz”.

Soubemos esta semana que Portugal caiu no índice europeu de risco de pobreza e desigualdade. Celebre-se às escuras e pague-se a conta da energia a uma família carenciada. Podemos escolher não cair no índice evangélico da indiferença. Afinal, a oferta que não dói não é verdadeira.

Artigo publicado no Suplemento Igreja Viva de 20 de outubro de 2022.

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