Arquidiocese

ANO PASTORAL
"Onde há amor, aí habita Deus"

[+info e Calendário]

 

Desejo subscrever a newsletter da Arquidiocese de Braga
28 Ago 2022
O eixo de uma Catedral
Homilia no 933º aniversário da dedicação da igreja catedral de Braga
PARTILHAR IMPRIMIR
  © Jorge Oliveira/DM

1. Domus Ecclesiae

A igreja catedral é o símbolo decisivo da fé numa Igreja local. Esta igreja catedral na sua antiguidade e grandiosidade representa a totalidade da Igreja Arquidiocesana. A nossa igreja catedral é o sinal da Domus Ecclesiae de portas abertas para dizer que Deus te abençoa e te ama.

De facto, o cerimonial dos Bispos recomenda: «inculque-se no espírito dos fiéis, da maneira mais oportuna, o amor e veneração para com a igreja catedral. Para isso, muito contribui a celebração do aniversário da sua dedicação, bem como peregrinações dos fiéis em piedosa visita, sobretudo em grupos organizados por paróquias ou regiões da diocese».

A igreja catedral é a igreja mãe da Arquidiocese: «Nem tudo é pedra, é certo, numa catedral – / mas também a madeira e os metais, /a água e os tecidos, a cera, o incenso, / comungam do sentido aí latente» (A. M. Pires Cabral).

August Rodin (1840-1917) chamou “Catedral” a uma sua escultura que representa duas mãos direitas, uma de homem e outra de mulher, prontas para um lugar de acolhimento. Antes de lhe dar este título, chamou-lhe “Arca da Aliança”. A pessoa humana é um ser de encontro.

Na verdade, «Uma catedral não é apenas um território sagrado exterior onde os nossos pés nos levam. Nem é apenas um templo fixado num determinado espaço. Nem apenas um porto de abrigo que os mapas assinalam. Uma catedral também se alcança com as nossas mãos abertas, disponíveis e suplicantes, onde quer que nos encontremos. Porque onde está um ser humano, ferido de finitude e de infinito, está o eixo de uma catedral». (Card. José Tolentino, expresso 21.3.2020)

2. Casa da grandeza da humildade 

Um antigo provérbio enuncia: «sem humildade todas as virtudes são vícios».

O Evangelho de Lucas e a leitura do livro do Ben-Sirá que escutámos apresentam a enorme interpelação temática da humildade como algo agradável a Deus e caminho de liberdade e amor fraterno, traçando o estilo de vida cristão. 

De facto, Jesus afirma: «Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». A humildade é a alicerce da oração e a disposição necessária para receber a justiça gratuita de Deus e encontrar o seu rosto. A oração implora a humildade, isto é, adesão à realidade e ao húmus de que somos feitos. Onde existe humildade há beleza, bondade e verdade, porque há abertura do coração e da inteligência ao amor. Por outro lado, onde existe orgulho há um sentido de superioridade e de desprezo dos outros.

A cultura dominante incita aos primeiros lugares e à meritocracia. Quem é que não quer ser o maior, ser o primeiro? Quem é que não quer para os seus filhos, netos, amigos, as honras dos primeiros lugares na mesa do banquete da vida? 

Todavia, Jesus continua a propor o caminho da generosidade, da gratuidade dos últimos lugares. Os lugares à mesa do banquete não se escolhem, mas devem ser indicados por quem nos convida. Saber ocupar o seu lugar é uma arte a cultivar para o bem comum e para o serviço dos outros.

A Igreja, casa inclusiva, é chamada à grandeza da humildade: «quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos».

3. Cristo total

A nossa igreja catedral está vinculada ao grande Bispo Santo Agostinho, por ter sido dedicada no dia 28 de agosto de 1089, a data litúrgica da sua memória. Santo Agostinho disse: «Congratulemo-nos e dêmos graças a Deus, porque somos, não somente cristãos, mas... Cristo. Compreendeis, irmãos, estais convencidos de que a graça de Deus reside em nós? Admirai, regozijai-vos; tornámo-nos Cristo. Ele é a cabeça, nós somos os membros. O Cristo total é Ele e nós... Quem é a cabeça e quem são os membros? É Cristo e a Igreja. Seríamos presumidos e soberbos tomando para nós esta dignidade, se ela não fosse prometida por Cristo...».

Em cada Igreja Local está presente toda Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica (cf. LG 26). A Catedral, porém, não simboliza apenas uma parte da Igreja, mas a Igreja na sua totalidade, sendo o lugar de irradiação do mistério de Cristo, que se atualiza na celebração dos sacramentos, especialmente na Eucaristia, fonte primordial da vida da Igreja. Por isso, também, as celebrações realizadas na catedral devem ser exemplares para toda a Diocese (cf. IGMR 22). 

Pela sua força simbólica, a Catedral converte-se em casa de oração, em escola da verdade, lugar de escuta da Palavra e lugar de elevação do espírito e de encontro com Deus. Amar e venerar a Catedral é amar a Igreja como comunidade de pessoas unidas pela mesma Fé, pela mesma Liturgia e Caridade. É fundamental que a Catedral, presidida pelo Bispo com a participação do povo que forma a comunidade diocesana, seja expressão da Igreja Local viva e peregrina. Espera-se também que a Catedral seja um centro modelador da Liturgia, da Evangelização, da Cultura e da Caridade sendo assim expressão e sinal de toda a vida da comunidade diocesana. 

Santa Maria de Braga, a Senhora de muitos nomes e de muitas santuários na nossa Arquidiocese, nos acompanhe nos caminhos e processos dinâmicos da sinodalidade para a unidade e para a paz.

 

† José Cordeiro, Arcebispo Primaz

PARTILHAR IMPRIMIR
Documentos para Download
Departamento Arquidiocesano para a Comunicação Social
Contactos
Director

P. Paulo Alexandre Terroso Silva

Morada

Rua de S. Domingos, 94 B
4710-435 Braga

TEL

253203180

FAX

253203190