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Flávia Barbosa / DACS | Fotografias: Ana Marques Pinheiro | 19 Jan 2022
"Seguir juntos a Estrela que é Jesus Cristo"
Basílica dos Congregados acolheu dezenas de crentes que participaram na Oração Ecuménica.
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Realizou-se ontem, dia 18 de Janeiro, às 21h00, na Basílica dos Congregados, em Braga, a Celebração Ecuménica no âmbito da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, este ano com o tema “Nós Vimos a Sua Estrela no Oriente e Viemos Adorá-lo”.

A atual situação pandémica não permitiu que a Basílica enchesse, como já aconteceu em outras ocasiões, mas, ainda assim, foram largas as dezenas de cristãos que compareceram e participaram ativamente na Celebração Ecuménica.

A Celebração contou, inclusivamente, com um momento em que todos os participantes foram convidados a colar uma estrela dourada que lhes foi entregue à entrada da Basílica num manto azul escuro que evocava o céu noturno.

 

Presentes na celebração estiveram o Administrador Apostólico da Arquidiocese de Braga, D. Jorge Ortiga, o Bispo da Igreja Metodista, D. Sifredo Teixeira, o Bispo da Igreja Lusitana, D. Jorge Pina Cabral e o Reverendo Emanuel Dinis, também da Igreja Metodista.

Durante a homilia, D. Jorge Ortiga recordou episódios da infância, em que se dedicava a olhar para o céu e a contar as estrelas, notando que havia uma em especial que se destacava sempre junto das outras, brilhando mais.

“Hoje, parece-me que já não olhamos as estrelas, parece até que elas desapareceram. Já não as vemos, nem aos apelos delas”, afirmou. 

Explicando que a tal estrela que se destacava, a estrela polar, era nada mais, nada menos, do que Jesus Cristo, D. Jorge Ortiga pediu aos participantes para olharem “para o Alto” e caminharem “em direção a Ele”.

“Nos tempos que vivemos, o sentido de alegria e de festa quase desapareceu. Pelo contrário, vão-se impondo realidades negativas, de desolação. Nós, crentes, temos de olhar mais além, para a estrela polar, e sentir-nos no caminho até ela, no caminho até à alegria”, explicou. 

 

Referindo-se ao Sínodo como uma experiência de peregrinação a nível mundial, o Administrador Apostólico afirmou que esta não é apenas uma oportunidade de caminharmos juntos, mas também para observarmos o modo como o fazemos.

“Dizemos que queremos ser Igreja Sinodal. Hoje pensamos precisamente nisto: temos que caminhar juntos e mostrar como a vida pode e deve ser”, disse, acrescentando que é a estrela polar, Cristo, que deve guiar essa caminhada.

D. Jorge Ortiga explicou ainda que existem outras estrelas que não caminham juntas da dignidade e no respeito daquilo que é essencial ao ser humano e que os cristãos devem procurar levar a estrela polar aos pobres, marginalizados, doentes e a todos quantos necessitem dessa luz.

“Temos que caminhar juntos, de mãos dadas, para ir ao encontro dos que estão perdidos; não para julgar, mas para apontar o caminho da estrela polar. Estamos cá hoje para tomar consciência que o mundo precisa da unidade e da comunhão, que começam pelo facto de seguirmos essa estrela. Só depois podemos fazer algo para que outros também a sigam”, concluiu.

D. Jorge Pina Cabral, por sua vez, concentrou a sua homilia na vida e testemunho do Arcebispo Desmond Tutu, recentemente falecido.

“A fé do Arcebispo Desmond Tutu foi forjada num sistema muito complicado, em pleno Apartheid. Enquanto cristãos, não podemos esquecer que o Apartheid também foi promovido por Igrejas Cristãs que procuraram fundamentos bíblicos e teológicos para sustentar o racismo e a segregação racial. Criaram-se igrejas separadas para brancos, negros e mestiços. As Igrejas não tiveram que lutar apenas contra o Estado opressor, mas tiveram que desmontar igualmente os argumentos que referi”, explicou, pedindo um exame de consciência constante a todas as Igrejas.

O Bispo da Igreja Lusitana referiu a opinião dos Astrónomos, que dizem que, quando observamos uma estrela, estamos a observar também o seu passado.

“Mesmo depois da sua morte, o seu brilho e luz perduram por muito tempo. Assim é o legado de muitas mulheres e homens, como Desmond Tutu. É um legado de coerência, de fé em Jesus Cristo. Deus pede-nos que olhemos para as estrelas que estão no Céu, mas também para as que estão na Terra”, afirmou. 

Explicando que o movimento ecuménico dá a conhecer homens e mulheres que são verdadeiramente inspiradores e iluminam todas as pessoas, D. Jorge Pina Cabral referiu alguns nomes como Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Charles de Foucauld e Chiara Lubich.

“As suas vidas foram de luta e afrontamento contínuos às autoridades injustas. Como os Magos, souberam abrir caminho para caminhar em conjunto. Promoveram reconciliação e unidade. São as estrelas de hoje, que Jesus Cristo continua a colocar no nosso caminho, para que nos possamos inspirar”, sublinhou.

O Bispo explicou que essas estrelas também necessitavam da luz de Cristo para as suas vidas, reflexos de luz e santidade do próprio Cristo. 

“Ofereceram não ouro, incenso e mirra, mas sim o bem mais precioso que possuíam: a sua vida, denunciando e lutando contra as injustiças”, explicou. 

D. Jorge Pina Cabral concluiu a homilia referindo o Sínodo da Igreja Católica, dizendo que espera que sejam abertos novos caminhos na caminhada sinodal, no movimento ecuménico e na realidade de Portugal, “para que a Epifania de Jesus Cristo continue a acontecer neste tempo”.

O Bispo da Igreja Metodista, D. Sifredo Teixeira, começou a sua homilia agradecendo a entrega e dedicação de D. Jorge Ortiga à Igreja e à causa ecuménica. De seguida, explicou que o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos convida a recordar a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus.

“Procuraram saber onde encontrar aquilo que buscavam e acabaram por perturbar a cidade com as suas perguntas, causando alvoroço, quase como se uma catástrofe tivesse acontecido. Claro que havia quem conhecesse as Escrituras e a resposta às perguntas, mas nem por isso a deram. Conhecer bem os textos bíblicos nem sempre significa conhecer e compreender O que veio habitar entre nós para ser a nossa vida abundante”, referiu.

Recordando também o episódio bíblico em que Deus conduz o povo após a Fuga do Egito, D. Sifredo apontou a alegria da descoberta, do encontro e de se terem posto juntos a caminho, sublinhando que a alegria faz a diferença nos encontros que vão acontecendo diariamente.

“Muitas vezes, os conhecedores do texto bíblico não estão atentos à ação de Deus. Vale a pena pôr-nos a caminho ao encontro dAquele que quer ser a nossa alegria”, explicou.

O Bispo Metodista disse ainda que vale a pena questionarmo-nos sobre as estrelas que estamos a seguir, relembrando que tanto nós contamos com Deus, como Ele conta connosco.

“Agimos em nome dEle e Ele a nosso favor, através de outros e outras. Nós somos os portadores da Boa Nova e Ele é o nosso melhor amigo. Não nos deixemos desviar do caminho para a estrela que brilha mais do que qualquer outra”, pediu.

Sendo a Igreja como essa estrela, torna-se esperança num mundo de desolação e angústia, explicou D. Sifredo, dizendo que o testemunho Cristão tem de ser visto até no que ainda não aconteceu. 

“Servir o Evangelho hoje requer o compromisso de defender a dignidade humana dos mais pobres e marginalizados. As Igrejas precisam de cooperar para aliviar os aflitos e os sobrecarregados, para construir uma sociedade mais justa e honesta”, concluiu.

A celebração foi pautada por vários cânticos e preces das diferentes confissões e a alegria dos participantes – que no final da celebração, mesmo mantendo o distanciamento, tiveram oportunidade de confraternizar por uns momentos – foi visível.

De recordar que o Vademecum do Sínodo refere que uma das disposições capaz de ajudar os participantes é a “aproximação através do diálogo ecuménico e inter-religioso: sonhar juntos e caminhar uns com os outros através de toda a família humana”, ideia expressa por todos os participantes da Celebração Ecuménica durante as suas homilias.

O mesmo documento também refere que “o Processo Sinodal é também uma oportunidade para aprofundar o caminho ecuménico com as outras confissões cristãs”.

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