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27 Nov 2013
GABINETE DE ACTIVIDADES CULTURAIS: UM SERVIÇO À MEMÓRIA
Artigo do Cón. José Paulo Abreu.
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Nascido para congregar e organizar quanto na Arquidiocese de Braga se prende com o património e a cultura, o IHAC (Instituto de História e Arte Cristãs) é hoje um verdadeiro arco-íris, pela luz que irradia, na multiplicidade das cores que integra.

Em artigos anteriores, ouvimos falar do Museu Arquidiocesano Pio XII e Medina, do Gabinete de Restauro, do Centro Cultural Sénior.

É hora de juntarmos mais uma peça ao puzzle, versando hoje o Gabinete de Atividades Culturais.

  Para que serve, quais os seus objetivos?

  Procura sobretudo alimentar a memória, vista esta não como mera evocação do passado, mas como atualização do que merece estar diante dos nossos olhos, no hoje da história que estamos a construir.

  O Gabinete de Atividades Culturais começou por envolver-se na celebração dos 500 anos do Hospital de São Marcos. Teve por aliados a Santa Casa da Misericórdia e a Administração do referido hospital. À ribalta vieram Arcebispos benfeitores (com destaque para D. Diogo de Sousa e D. Frei Caetano Brandão), os irmãos da Misericórdia, reunidos primeiro nos claustros da Sé, depois operacionais em sede própria, os utentes de tão benfazejo serviço e uma procissão de diversificados servidores, esses que no dia-a-dia vestem a roupa da esperança da cura, do lenitivo para as dores, do restauro das forças, do empenho no bem-estar físico e espiritual dos doentes. Uma intensa atividade cultural e celebrativa mostrou a gratidão da urbe por tão benemérita instituição, numa primeira e longa etapa confiada à solicitude eclesial, gerida depois sob a batuta estatal.

  De seguida, os focos viraram-se para uma grande figura do episcopado bracarense, S. Geraldo. Celebramos-lhe o IX centenário. Falamos da reconstrução da Arquidiocese de Braga, do influxo que aquele santo teve na liturgia, da sua raiz cluniacense, do denodo com que defendeu o caráter metropolitano da sede bracarense, da sua ação pastoral e do seu empenho no campo social. As reflexões seriam ilustradas com a representação do famoso “milagre da fruta”, programa já tradicional em qualquer 5 de Dezembro, a Catedral inundada de crianças transformadas em verdadeiros artistas. Não faltou igualmente – ou não fora S. Geraldo o patrono da cidade de Braga -, o tradicional encontro do Arcebispo de Braga com os autarcas da cidade. As reflexões que o Centenário suscitou haveriam de perpetuar-se numa publicação, sob os auspícios da Faculdade de Teologia-Braga, da Universidade Católica Portuguesa, sob o título: IX Centenário de S. Geraldo (1108-2008). Colóquio de Estudos e Outros Actos Comemorativos.

  O Gabinete de Atividades Culturais não conseguiu igualmente esquecer o Cón. Avelino de Jesus da Costa de quem, em 2008, ocorria o centenário de nascimento. Também aqui apareceram parceiros: a Câmara Municipal de Ponte da Barca - cidade de onde era natural, o Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo (a quem o Cón. Avelino doou a sua preciosa biblioteca), o Cabido da Sacrossanta Basílica Primacial de Braga (de que o famoso historiador era membro). Fizeram-se ainda sentir as presenças da Universidade de Coimbra (jardim onde o estudioso semeou abundantemente as muitas flores do seu saber) e a Academia Portuguesa de História (dignificada por tão prestimoso sócio). A obra do Cón. Avelino foi evocada e perpetuada pela pena do Cón. José Marques. Para a posteridade ficaram duas publicações, reunindo uma os artigos que o insigne historiador foi publicando no Jornal Diário do Minho, condensando outra os artigos que publicou no Jornal da Barca.

  Depois, veio o Átrio dos Gentios. Na verdade, o Gabinete de Atividades Culturais acolheu o repto que vinha de Roma, do Pontifício Conselho da Cultura, no sentido de juntar, a uma mesma mesa, pensadores, cientistas, artistas, de olhares diferentes, num grande espírito de diálogo e franqueza. Escolheu-se um tema: O valor da Vida. Os intervenientes vieram de todo o lado, de todos os quadrantes. Falou-se da identidade e sentido da vida de um povo, do valor e sentido da vida de cada ser humano, de estilo de vida e salvaguarda do universo, de genética e bioética… E não faltou a música, interpretada pela Fundação Orquestra Estúdio de Guimarães e Coro de Licenciatura em Música da Universidade do Minho, pela Orquestra Geração de Lisboa e Jovens Cantores de Guimarães e pelo João Gil (que ao público deu a conhecer a “sua” Missa brevis).

  De 6 a 8 de Novembro ocorreu, na colunata do Bom Jesus, o Congresso “Concílio de Trento. Restaurar ou inovar. 450 Anos de História”. Ao Gabinete, na preparação e programação, aliaram-se o Centro Científico e Cultural de Macau, a Universidade de Lisboa, o Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes, o Instituto São Tomás de Aquino – Província Portuguesa da Ordem dos Pregadores. O Concílio foi escalpelizado em múltiplas perspetivas: teológica, espiritual, disciplinar, missionária, artística, clerical, religiosa… As Atas, que em breve surgirão, perpetuarão o acontecimento e ajudarão a divulgá-lo.

E já estamos a olhar para o futuro. Programamos, para os anos 2014 e 2015, um novo congresso, agora centrado na figura de São Bento. Fizemo-nos parceiros da Confraria de São Bento da Porta Aberta. Teremos comunicações e várias outras atividades, tudo no intuito de percebermos a essência e importância do beneditismo. O pretexto está na proclamação de São Bento como patrono da Europa (fenómeno que em 2014 completa 50 anos) e na celebração dos 400 anos do aparecimento do primeiro santuário de São Bento, por aquelas terras de Bouro (em 2015).

  Fazer memória não significa enterrar-se nas teias de aranha de um baú carcomido pelo tempo. Significa antes trazer o passado para o presente, louvando aqueles de quem somos felizes herdeiros, porque foram grandes e marcaram a identidade que hoje temos. É uma questão de justiça e de gratidão!

Cón. José Paulo Leite de Abreu

Diretor do IHAC


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