Arquidiocese de Braga -
24 novembro 2006
A aventura pensada para o serviço público

Fotografia
D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga
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A missão da Igreja é sempre orientada para o homem como caminho a percorrer quotidianamente. Sentimo-nos corresponsáveis na sua felicidade e teremos de investir meios e pessoas para que esta se alicerce e construa segundo parâmetros de verdadeira e autêntica dignidade.
Vivendo para o homem sabemo-lo marcado por uma individualidade precisa que nunca desconsidera a dimensão estruturante do social e cultural. Ele vai-se construindo de harmonia com o ambiente e cultura que o rodeiam.
Importa, por isso, que a Igreja o evangelize através de todas as formas de relação e comunicação social chegando à cultura humana para que ai se torne um sinal e referência para o mesmo homem. Trata-se de propor com audácia um modelo de humanismo que se diferencie não pela arrogância ou privilégio mas pela humildade que aposta nos verdadeiros valores.
Daí que, hoje mais do que nunca, a Igreja tenha de entrar, como fez S. Paulo, em Atenas, nos “areópagos” modernos onde se define e publicita a cultura. Aí torna-se necessário difundir uma mensagem para um confronto dialógico sereno e capaz de se questionar sobre as verdadeiras questões existenciais.
Esta é a razão da nossa presença aqui. A Arquidiocese de Braga quis não só ser fiel à sua tradição dum jornal e duma tipografia, mas reconheceu que estas estruturas devem acompanhar o tempo actual. Conservar estruturas ultrapassadas significa desperdiçar oportunidades e inadequar-se às exigências actuais. Não é fácil discernir quando se poderia ficar no existente pensando que ainda corresponde às necessidades. O minimalismo pode ser prejudicial a quem ama a humanidade e a quer servir. A ousadia moveu-nos e a fé vai continuar a acompanhar-nos para que a mensagem dum humanismo cristão ecoe na sociedade hodierna.
A Empresa do Diário do Minho – dum modo particular com o seu jornal – é Arquidiocesana e quer estar ao serviço da Igreja e da sociedade em Portugal. Não nos movemos pelos lucros. Estamos na lógica dos servos por amor ao Reino que se deve edificar.
Para isso, queremos poder contar com o contributo que todos podem dar, individual ou comunitariamente, através de instituições civis ou religiosas, das autarquias e das dioceses portuguesas. Às instituições eclesiásticas gostaria de solicitar a colaboração de todos na procura destas novas instalações; às instituições civis atrevo-me a recordar que, com este gesto ousado, estamos a apostar numa acção de qualificação e profissionalização para que os postos de trabalho se possam manter. Estamos, na verdade, a situar-nos na vanguarda para servir a região e o país e não só a religião católica. Sei que encontraremos correspondência a nível diocesano, regional e nacional.
Olhando para o jornal gostaria de poder contar com o trabalho valorizado de tantos fiéis que, trabalhando nesta actividade profissional ou não, podem enriquecer a formação e informação através duma maior envolvência temática e cultural. Simultaneamente, é meu dever pensar nos destinatários. Sei que a oferta é muito diversificada. A possibilidade de servir-se dum ou doutro meio não deveria dispensar muita gente de considerar-se verdadeiro apóstolo desta causa que, repito, não é só de alguns mas da Igreja diocesana. Só com o contributo de todos, julgando positiva ou negativamente mas dum modo público e honesto encontraremos o modo duma influência corresponsável na orientação para servir melhor.
As árvores têm as suas raízes que, por vezes, são esquecidas. A inauguração destas novas instalações e equipamentos quer, também, ser uma homenagem a tantos que apostaram nesta causa. Vivos ou falecidos, sabemos que a presença aqui a eles se deve.
Aqueles e aquelas que suportam, no dia a dia, o trabalho desta casa – desde a administração, à direcção, à equipa redactorial até aos trabalhadores dos variados sectores – acredito que continuarão no mesmo espírito de serviço, sabendo que estou com eles para que possam usufruir de condições de vida dignas e justas. A todos e a cada um o meu sincero obrigado, em nome daqueles que recebem o fruto do vosso trabalho.
A quem nos acompanha neste dia de festa de inauguração, um obrigado pela vossa presença. Ela é estímulo para que nesta área da comunicação, como em tantas outras, mostremos a beleza de servir a causa comum.
Braga, 24 de Novembro de 2006.
Jorge Ferreira da Costa Ortiga,
Arcebispo Primaz
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