Arquidiocese de Braga -
5 janeiro 2026
“Esperança para todo o mundo”: Jubileu reúne mais de 33 milhões de peregrinos em Roma
Vatican News - Daniele Piccini
O “mundo inteiro” chegou a Roma no Ano Santo de 2025. Foram 33.475.369 peregrinos, provenientes de 185 países, que chegaram por ocasião do Jubileu da Esperança, que o Papa Leão XIV concluirá oficialmente dentro de poucas horas, fechando a Porta Santa da Basílica de São Pedro. Superaram-se, assim, de forma ampla, as projecções — elaboradas pela Universidade Roma Tre — que previam “apenas” 31 milhões de fiéis na Cidade Eterna neste ano especial de graça para a Igreja. É D. Rino Fisichella, pró-presidente da Câmara Municipal do Dicastério para a Evangelização e responsável pela organização, quem traça o balanço do Ano Santo, durante uma conferência de imprensa realizada esta manhã, 5 de janeiro, véspera do encerramento do Jubileu, na Sala de Imprensa da Santa Sé. Estiveram presentes as autoridades civis que colaboraram — com aquilo a que unanimemente já chamam “método Jubileu” — para a realização do evento e de todas as infraestruturas necessárias. O mundo inteiro veio a Roma, mas sobretudo a Europa: 62% dos peregrinos vieram do velho continente, com a Itália em primeiro lugar no número de presenças e o Brasil em quarto lugar.
Um Jubileu de espiritualidade e de futuro
Nem os números dos peregrinos, nem os dos chamados “grandes acontecimentos” (nada menos de 35) dão plenamente conta de um acontecimento que pretendia, sobretudo, entrar na vida das pessoas e renová-la em profundidade. “A dimensão espiritual que está na base do Jubileu permitiu constatar um povo em caminho, com grande desejo de oração e de conversão”, afirmou D. Fisichella. A vida espiritual dos peregrinos voltou a florescer à medida que enchiam os principais destinos de peregrinação e os santuários de Roma. “As Basílicas Papais e outros centros de oração — acrescentou — como, por exemplo, a Escada Santa, registaram presenças nunca vistas anteriormente. As confissões aumentaram e a celebração jubilar do perdão pleno, a indulgência, chegou a todos”. Neste ano, agora concluído, foi oferecida esperança às pessoas e ao mundo: “O Jubileu está encerrado — disse ainda o pró-presidente da Câmara — mas permanecem os muitos sinais de esperança que foram oferecidos, e alarga-se o horizonte para sustentar um futuro carregado de paz e serenidade, como todos desejam. Numa palavra, este Ano Santo alcançou o objetivo expresso na bula de convocação do Jubileu Spes non confundit: ser, para todos, ocasião de reavivar a esperança”.
A generosidade de 7 mil voluntários
Há, no entanto, números que contam, porque — “num período de fácil individualismo”, como disse por fim o prelado ao agradecer — medem a generosidade de tantos voluntários: 5 mil estiveram em serviço durante todo o Ano e 2 mil, da Ordem de Malta, prestaram serviço de primeiros socorros nas quatro basílicas papais.
Diálogo e colaboração: o “método Jubileu”
Alfredo Mantovano, subsecretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros italiano, explicou em que consistiu o “método Jubileu”: “Uma administração estatal que deve coordenar, e não dirigir, outras administrações. Reuniões de coordenação que resolvem problemas e não os criam. Cada um dos sujeitos envolvidos evita apropriar-se de resultados que são fruto do trabalho de todos. Tudo isto permitiu uma mudança de ritmo”. Uma máquina administrativa que se colocou ao serviço da espiritualidade. “As instituições não devem responder às questões cruciais — como aquelas que todos nos colocamos perante a tragédia de Crans-Montana, na Suíça — mas colocar as pessoas em condições de as poderem viver, como fizeram os peregrinos”. A próxima ocasião será oferecida, já este ano, pelo oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis. “A vida de São Francisco é precisamente a resposta mais completa às questões profundas e dilacerantes dos acontecimentos deste início de ano. Também por isso vale a pena continuar a trabalhar”.
O acolhimento da Cidade Eterna
O presidente da Câmara de Roma e comissário extraordinário do Governo para o Jubileu, Roberto Gualtieri, viu a sua cidade acolher com paciência os muitos fiéis que chegaram à capital para obter a indulgência, numa relação de benefício recíproco. “Os peregrinos não retiraram nada da capacidade de Roma para acolher turistas e de oferecer serviços aos seus cidadãos. Pelo contrário, o Jubileu foi um motor impulsionador”, afirmou o autarca. “A alegria, a fé e a esperança dos peregrinos tocaram o coração dos romanos, que, por sua vez, tiveram uma atitude acolhedora para com eles, mesmo quando os seus números eram extraordinários. Tor Vergata, por exemplo, é um evento que ficará na história da nossa Cidade e da Igreja”, concluiu Gualtieri.
O contributo dos profissionais de saúde e das forças de segurança
“O Método Jubileu — explicou, por sua vez, Francesco Rocca, presidente da Região do Lácio — levou o grupo de coordenação a trabalhar com serenidade, e não com competição, uma serenidade que se transmitiu a todos os operadores. O serviço de urgência 118 realizou 580 mil atendimentos, mais 40 mil do que no ano anterior. Os atendimentos nas urgências foram mais 1.600.000, 100 mil em relação a 2024”.
Por fim, Lamberto Giannini, presidente da Câmara Municipal de Roma, descreveu o princípio que orientou a atuação das forças de segurança na capital: “Precisávamos de segurança e serenidade, por isso procurámos transmitir segurança não militarizando, mas fazendo prevenção. O Jubileu dos Jovens marcou-me profundamente, com os confessionários montados no Circo Máximo. Foi algo único, que ficará na memória de todos”.
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