Arquidiocese de Braga -

4 novembro 2026

Que nenhum padre fique sozinho: Conselho Presbiteral coloca o cuidado dos sacerdotes no centro

Fotografia DACS

Fraternidade, acompanhamento na doença e no envelhecimento, justiça económica e transparência marcaram a reunião realizada esta quarta-feira, 4 de novembro, no Centro Pastoral Universitário, em Braga.

Criar condições para que nenhum sacerdote envelheça, adoeça ou perca autonomia sentindo-se sozinho ou inseguro quanto a quem o acompanha foi uma das preocupações centrais do Conselho Presbiteral de Braga, reunido esta quarta-feira sob a presidência de D. José Cordeiro. A felicidade no presbitério e o trabalho em curso sobre o Estatuto Económico do Clero foram abordados como dimensões interligadas da vida e da missão sacerdotal.

A reflexão sobre o cuidado dos sacerdotes partiu de um contributo da anterior direção da Casa Sacerdotal e prosseguiu em grupos, cujas sínteses trouxeram propostas de acompanhamento humano, espiritual e material ao longo das diferentes etapas da vida.

Fraternidade que se traduz em proximidade

Nas intervenções dos grupos, foi sublinhada a necessidade de uma fraternidade que se exprima na atenção quotidiana, na visita, na escuta e no acompanhamento dos sacerdotes doentes ou fragilizados. A reflexão recordou que as dificuldades físicas e psicológicas podem surgir também nos primeiros anos de ministério, exigindo uma atenção continuada.

Deixar determinadas responsabilidades pastorais não significa deixar de ser sacerdote. Esta ideia atravessou o debate, que apontou para a valorização do contributo dos padres mais idosos e para a procura de formas de participação adequadas às capacidades e à situação de cada um.

Entre as propostas apresentadas, um dos grupos destacou a organização em equipas pastorais constituídas por sacerdotes, diáconos e leigos, com responsabilidades partilhadas. «Missão comum, oração comum e mesa comum» foram as três dimensões apontadas para uma experiência de comunhão capaz de favorecer a entreajuda, reconhecer situações de fragilidade e facilitar a transição para uma atividade pastoral menos intensa.

O descanso, as relações de amizade, a vida espiritual e a preparação para o envelhecimento foram igualmente valorizados. A Casa Sacerdotal foi reconhecida como uma resposta importante, a articular com outras possibilidades de acompanhamento, tendo em conta as circunstâncias pessoais, familiares e comunitárias de cada sacerdote.

Justiça e transparência no sustento do clero

O Conselho fez também o ponto de situação dos trabalhos relativos ao Estatuto Económico do Clero, que continua em preparação. A análise de um documento com respostas a questões anteriormente levantadas evidenciou a necessidade de clarificar algumas formulações e de prosseguir a reflexão com o presbitério.

D. José Cordeiro sublinhou a importância de maior justiça entre os sacerdotes e de transparência na administração dos bens. «Não pode haver tanta injustiça entre nós», afirmou, associando este caminho à dignidade, à estabilidade e à «saúde integral do presbitério».

O trabalho prosseguirá com a revisão do texto, a apreciação pelo Conselho Permanente e o parecer do ecónomo, antes de uma nova reflexão nos arciprestados. O horizonte apontado foi o de reunir condições para tomar decisões em maio, dando continuidade ao percurso de escuta e discernimento.

Foi ainda abordada a aplicação de taxas às irmandades e confrarias, particularmente quando apresentam resultados financeiros negativos. A questão suscitou uma reflexão sobre a partilha de recursos, a reciprocidade e a atenção às situações concretas das instituições. Foi referido que esta matéria se encontra em estudo.

Uma casa aberta aos jovens

A realização da reunião no Centro Pastoral Universitário permitiu conhecer o trabalho da equipa da Pastoral Universitária, que apresentou o propósito de fazer daquele espaço «um lar fora de casa»: um lugar de acolhimento, encontro, escuta e crescimento na fé.

Entre as propostas apresentadas esteve o Maná, que reúne os jovens à segunda-feira para a Eucaristia, o jantar e um serão de diálogo. A equipa destacou a importância de escutar as perguntas e necessidades dos participantes, deixando espaço para que estas orientem as iniciativas e os percursos de aprofundamento da fé.

Na saudação inicial, o Arcebispo de Braga recordou a Semana dos Seminários, que na Arquidiocese se prolonga até 15 de novembro, e convidou as comunidades à oração e à partilha pelos seminaristas, formadores e jovens em discernimento vocacional.

No encerramento, D. José Cordeiro valorizou a experiência de «rezar juntos, pensar juntos, refletir juntos» como expressão do caminho sinodal do presbitério. A reunião terminou com a oração da Semana dos Seminários.