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DACS com Associated Press | 26 Mar 2019
Fundadora e editoras do “Mulheres Igreja Mundo” demitem-se
Demissão é protesto contra o que dizem ser uma campanha de descredibilização depois de denunciarem o abuso de freiras.
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Lucetta Scaraffia, fundadora e responsável do suplemento "Donne Chiesa Mondo" (Mulheres Igreja Mundo) do jornal "L'Osservatore Romano", do Vaticano, demitiu-se em conjunto com o restante conselho editorial totalmente feminino em protesto face a "uma campanha do Vaticano" para as desacreditar e para as colocar "sob o controlo directo dos homens" que só aumentou depois da denúncia de abusos sexuais a freiras pelo clero.

Lucetta Scaraffia explicou, numa carta ao Papa Francisco, que a equipa está a "atirar a toalha ao chão" porque se sente "cercada por um clima de desconfiança e progressiva deslegitimação". A carta será publicada, em conjunto com o editorial, na edição de Abril do suplemento.

Scaraffia disse à agência Associated Press que a decisão de sair foi tomada depois do novo editor do L'Osservatore, Andrea Monda, planear no início do ano assumir o controlo editorial do suplemento. Monda terá desistido depois de as editoras do "Mulheres Igreja Mundo" ameaçarem demitir-se e os semanários católicos que distribuem traduções do suplemento na França, Espanha e América Latina afirmarem que iriam parar de o distribuir se Lucetta Scaraffia não o chefiasse.

"Depois das tentativas de nos pôr sob controlo, vieram as tentativas indirectas para nos deslegitimizar", disse Scaraffia à Associated Press, citando outras mulheres convidadas a escrever no L'Osservatore Romano "com uma linha editorial oposta à nossa". O efeito, afirmou, foi "turvar as nossas palavras, deslegitimizando-nos como parte das comunicações da Santa Sé".

Um artigo escrito por Scaraffia em Fevereiro destacou casos de freiras violadas ou abusadas por padres e bispos, ou serem forçadas a abortar ou deixar a Igreja se engravidassem em resultado do abuso sexual. O Papa Francisco reconheceu o problema pela primeira vez poucos dias depois do artigo ser publicado.

No último editorial do "Mulheres Igreja Mundo", o conselho editorial afirma que "as condições já não existem" para continuar a colaborar com o L'Osservatore. "Estão a regressar à prática de escolher mulheres que asseguram obediência," lê-se. "Estão a voltar à auto-referência clerical e a desistir da parresia [liberdade para falar livremente] que o Papa Francisco tanto procura."

Andrea Monda agradeceu às mulheres pelo seu trabalho, acrescentando: "Nos poucos meses desde que fui apontado como director, garanti a Scaraffia, e à equipa editorial, a mesma total autonomia e a mesma total liberdade que têm caracterizado o suplemento mensal desde o dia em que nasceu, abstendo-me de interferir de qualquer outra forma do que oferecer a minha atenciosa contribuição" na sugestão de ideias e possíveis contribuições.

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