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DACS | 26 Set 2022
Jesuítas portugueses pedem perdão por abusos
Província Portuguesa da Companhia de Jesus apela às vítimas que contactem o Serviço de Escuta (escutar@jesuitas.pt ou 217 543 085).
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A Província Portuguesa da Companhia de Jesus (PPCJ) emitiu hoje um comunicado no qual, "com enorme dor e sofrimento", explica que, após uma recolha de informação interna, foi possível apurar – "com um grau de probabilidade elevada" – a ocorrência de casos de abuso sexual de menores cometidos por oito jesuítas, todos já falecidos.

Os casos dizem respeito a ocorrências desde 1950, tendo o último caso acontecido nos inícios dos anos 90. As vítimas, de ambos os sexos, compreendem idades entre os 9 e os 16 anos.

"A nossa primeira palavra não pode, pois, deixar de ser para com as vítimas, feridas na sua dignidade e marcadas física, emocional e espiritualmente por estes abusos. A estas pessoas, bem como às suas famílias, pedimos perdão pelos abusos sofridos e por não termos sido capazes, enquanto organização, de as proteger", afirma a PPCJ.

A Companhia de Jesus está consciente que podem existir ainda outras situações não conhecidas e também a essas vítimas dirige palavras de perdão "do fundo do coração".

Os dados agora revelados foram apurados no âmbito do Serviço de Escuta – criado em novembro de 2021 para acolher, escutar e ajudar possíveis vítimas de abuso sexual nas obras da Companhia de Jesus e onde chegaram duas denúncias – e também através de uma recolha e procura de informação interna, nomeadamente nos arquivos da PPCJ.

A maioria dos abusos, de acordo com o comunicado, terão ocorrido em ambiente escolar, envolvendo alunos dos colégios da Companhia, tanto em contexto de grupo (sala de aula) como em contacto individual, sendo alguns actos relatados como únicos, outros como pontuais e outros mais recorrentes.

"Quanto às formas de abuso, caracterizam-se na generalidade por toques em zonas íntimas, embora haja registos de formas mais invasivas. Há ainda outros relatos de situações que decorreram em contexto de acompanhamento individual", pode ler-se no comunicado.

A Companhia de Jesus refere ainda que as informações sobre os casos são escassas e pouco objectivas, "sendo, por isso, muito difícil, sem relatos concretos das vítimas, perceber com clareza em que circunstâncias se deram os abusos, se foram ou não denunciados, e quais as diligências que foram tomadas em relação aos abusadores e às vítimas".

"Nos casos em que houve denúncias foram tomadas medidas tais como o afastamento do suspeito ou o seu isolamento em casa religiosa com proibição do exercício de actividade apostólica, bem como a escuta das vítimas. Não temos ainda informação de que tenham existido processos judiciais ou canónicos. Infelizmente, não podemos assegurar que tenham sempre sido tomadas todas as medidas que hoje consideramos adequadas, nomeadamente no que diz respeito ao cuidado e protecção das vítimas", acrescentam.

Os Jesuítas dizem ainda que a investigação interna está inserida "no esforço e empenho da Igreja Católica em geral, da Conferência Episcopal Portuguesa em particular, e também da Companhia de Jesus, para erradicar o abuso sexual presente em variadíssimas áreas da sociedade, de modo a que este possa ser prevenido, denunciado e, na medida em que seja possível, reparado".

"Decorre também do nosso desejo de conhecer, com rigor, respeito e seriedade, os abusos praticados, ao longo da história, em alguma instituição da Companhia de Jesus, na medida em que possam existir vítimas para acolher, escutar e apoiar", afirma a PPCJ.

A PPCJ entregou a informação recolhida ao Grupo de Investigação Histórica (GIH) da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica, que está neste momento a fazer esse apuramento junto das dioceses e congregações religiosas.

A todas e a todos que possam ter sido vítimas de qualquer espécie de abuso sexual nas Obras da Companhia de Jesus, a PPCJ reforça o apelo a que contactem o Serviço de Escuta (escutar@jesuitas.pt ou 217 543 085).

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